Em forte crescimento, China agora sofre por falta de mão de obra
Com as exportações chinesas
retornando a níveis de 2008, pré-crise, os donos de fábricas estão
preocupados com sua capacidade de atender uma forte alta nas encomendas,
agora que começou um novo ciclo industrial, depois dos feriados do ano
novo lunar.
O problema é especialmente grave na província Guangdong no sul, e no
centro fabril no delta do Rio das Pérolas, próximo a Hong Kong, na
região conhecida como "a fábrica do mundo".
Guangdong responde por um terço das exportações da China e seria um dos
dez maiores exportadores do mundo se fosse um país. Mas a capacidade da
província de atrair e manter força de trabalho migrante procedente do
vasto interior da China está se esgotando.
"A disponibilidade de mão de obra está escassa nesse momento em
Guangdong, em relação com outras regiões", disse Paul Hussey,
executivo-chefe da Strix. A companhia, que domina o mercado global de
controles termostáticos em jarras elétricas, mantém a maioria das suas
operações industriais na capital da província, Guangzhou.
Quantificar essa escassez de mão de obra é extremamente difícil, dadas
as enormes diferenças por região, setor e nível de qualificação. No
começo dessa semana, recrutadores da Galanz, maior produtora mundial de
fornos de micro-ondas, estavam oferecendo a operários de linha de
produção uma base salarial mensal relativamente polpuda, de 1,7 mil yuan
(US$ 250). Técnicos especializados estavam recebendo 65% a mais.
Em
Dongguan, centro industrial próximo de Guangzhou, o governo local
estima que há agora apenas um trabalhador para cada dois postos de
trabalho.
O bem sucedido programa de estímulo econômico de Pequim contribuiu para a
disputa por trabalhadores no litoral, elevando as oportunidades de
investimento e emprego nos demais lugares. "O estímulo fiscal incentivou
a expansão de vagas nas províncias do interior", disse Ben
Simpfendorfer, economista do Royal Bank of Scotland em Hong Kong.
Em
dezembro, a China inaugurou o mais veloz trem de passageiros do mundo,
entre Guangzhou e a cidade de Wuhan, no centro do país, cobrindo uma
distância de 1,1 mil km em apenas três horas. A linha Expresso Harmonia
reduziu o tempo de viagem entre Guangzhou e Shaoguan, uma periferia
industrial na remota região montanhosa de Guangdong, para apenas 40
minutos, o que permite aos trabalhadores ficar mais perto das suas
casas.
Fonte: Global 21 (26/02/2010)








