Emprego no Mercosul
A aprovação da proposta para a Estratégia Mercosul de Crescimento do Emprego, em recente reunião do Conselho do Mercado Comum, em Córdoba, representa importante avanço no projeto de integração do bloco econômico.
Elaborada
pelo Grupo de Alto Nível do Emprego (Gane), formado por representantes
de ministérios das áreas econômica, produtiva e social do Mercosul, a
proposta prevê a articulação de políticas trabalhistas, sociais e
educativas, com o objetivo de gerar condições de criação de empresas e
emprego digno, e promover o respeito e cumprimento dos princípios e
direitos do trabalho.
A necessidade de uma estratégia comum
surgiu há dois anos, durante a Conferência Regional de Emprego dos
Países do Mercosul, quando experiências demonstraram que a retomada do
crescimento econômico não implica, necessariamente, aumento do emprego
e melhoria da distribuição de renda. Na ocasião, os ministros do
Trabalho destacaram a necessidade de políticas macroeconômicas,
industriais e comerciais para a diminuição do desemprego e da
desigualdade. Tais políticas também são importantes para a quebra dos
ciclos de pobreza, que caracterizam a situação de segmentos
significativos das populações dos países do Mercosul.
Para
passar da intenção à ação, cada país criou um grupo de trabalho com
vistas à estratégia comum de emprego. Esses grupos elaboraram
diretrizes e traçaram metas que devem ser contempladas pelas políticas
nacionais de geração de emprego e renda. No Brasil, as propostas
governamentais foram amplamente debatidas com representantes das
confederações empresariais e as centrais sindicais, reforçando o
diálogo social.
O documento aprovado em julho pelo Conselho do
Mercado Comum, resultado das propostas de cada país, pretende colocar o
emprego decente no centro das estratégias de desenvolvimento para o
Mercosul. Para isso, um conjunto integrado de políticas nos níveis
nacional, regional e local deverá fomentar o investimento público e
privado, fortalecer as micro, pequenas e médias empresas, desenvolver
ramos produtivos locais, estimular a formalização de empresas e
empregados.
Serão identificadas oportunidades de investimento
em projetos e setores produtivos que levem ao uso intensivo de
mão-de-obra, com o propósito de melhorar a qualidade de vida da
população. Também receberão incentivos os projetos conjuntos de
infra-estrutura ou aqueles que gerem impactos além das fronteiras do
país onde estarão sendo implementados, permitindo que novos consensos
sejam construídos.
Os mecanismos para o fomento aos
investimentos pressupõem desenvolvimento do mercado interno para sua
inserção no mercado mundial; fortalecimento do setor industrial e apoio
a inovações tecnológicas; estímulo a programas de economia social
solidária e cooperativa; desenvolvimento do setor rural, de forma a
elevar a produtividade dos pequenos agricultores e da agricultura
familiar; e promoção do desenvolvimento local, fortalecendo setores
produtivos de base territorial ou setorial, particularmente em zonas de
fronteira.
Importante aspecto da proposta de Estratégia
Mercosul de Crescimento do Emprego é que ela promoverá crescente
aplicação das normas trabalhistas, em especial daquelas que se referem
aos princípios e direitos fundamentais do trabalho contidos na
Declaração Sociolaboral do Mercosul e na Declaração de Princípios e
Direitos Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
As
políticas traçadas a partir da estratégia comum de emprego devem,
ainda, contemplar a redução de barreiras existentes para a
incorporação, no mercado de trabalho, de grupos em situação de
desvantagem/discriminação ou exclusão social, com atenção prioritária
às mulheres.
Os avanços dos próximos dois anos incluem a
elaboração, a implementação e a avaliação de Planos Nacionais de
Emprego articulados às diretrizes comuns aos países. A Estratégia
Mercosul de Crescimento do Emprego é, portanto, a preciosa oportunidade
de reativação das ações de integração de nossas economias e de avanço
na busca por melhores condições de vida para a população dos países do
Mercosul.
Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego
Fonte: http://web.iea.com.br/funcex








