Empresário ainda está distante da logística
Otimização de transporte, seletividade de estoques, controle de produção, de vendas e compras fazem parte do dia-a-dia da Compomade Componentes de Madeira, empresa com 145 funcionários e faturamento de R$ 12 milhões por ano.
Todas essas atividades, realizadas com ferramentas de informática, estão de acordo com o conceito de logística, que muitas vezes é confundido no Brasil apenas com o transporte de mercadorias.
Fabricante de revestimentos para paredes, chapas de fibras, aglomerados de madeira, painéis de MDF destinados à construção civil e indústria de móveis, a Compomade é uma média empresa, localizada em Agudos (SP), que se destaca ao adotar essas práticas de gestão, utilizadas normalmente em grandes grupos nacionais e multinacionais.
"Somos uma empresa modelo, só não temos aporte de capital", comenta, bem-humorado, Admir Martini, que com outros dois sócios criou a empresa em 1998. Ex-diretor industrial da Duratex e Eucatex, ele diz que há preocupação em otimizar o transporte com seqüência e seletividade de entregas das mercadorias, porque essa área tem forte peso nos custos da empresa. Os estoques são controlados e identificados com código de barras. "Estamos bastante informatizados, incluindo as áreas de compras e vendas", afirma.
Se a Compomade adota a logística em sua administração, o mesmo não acontece com a maioria das médias, pequenas e micro empresas brasileiras. "Os pequenos e micro empresários ainda não têm essa visão de logística, que abrange transporte, armazenagem, distribuição, estoques, informática", afirma Arivaldo Hallgren, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo.
Segundo ele, a maioria desses empresários encara logística como sinônimo de transporte, considera estoques como despesa e não como custos, usa o microcomputador só para receber e mandar e-mails e não "acha tempo" para leituras de área econômica. E "há um problema que é mais comum do que se pensa: a mistura da pessoa jurídica com a física, sem separação da contabilidade", afirma Hallgren.
O
Sebrae orienta os médios, pequenos e micro empresários com uma série de
manuais e sete cursos, que incluem administração, finanças, produção,
marketing, informática, jurídico e comércio exterior. "Muitos nem sabem
que os cursos são gratuitos e que há consultores para ajudar as
empresas", afirma.
Para introduzir o conceito de logística entre os micro e pequenos empresários, Adalberto Panzan Junior, presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog), propôs ao Sebrae uma parceria para que haja um capítulo específico sobre o tema em seus manuais. "Como se ensina como contratar ou demitir funcionários, finanças e outros itens, é preciso explicar o conceito de logística, que envolve desde a matéria-prima até o cliente".
A logística para os pequenos e micro empresários é fundamental, segundo ele, porque nessas empresas existe pouca margem de manobra e a falta de produto em estoque, por exemplo, pode significar até o fechamento do negócio. "Numa grande empresa, a margem de manobra é maior e um erro pode ser corrigido sem comprometer a sua sobrevivência", afirma.
Enquanto a integração não se dissemina entre as pequenas e micros, existem serviços logísticos que ajudam essas empresas. Na área de comércio exterior, que envolve uma série de exigências burocráticas, há o Exporta Fácil, criado pelos Correios em 2000. Por esse serviço, o empresário pode exportar pacotes de até 30 quilos e valor máximo de US$ 20 mil. "Se o volume de exportação for maior que esses limites, é possível fragmentar as mercadorias em vários pacotes", afirma Lílian Rodrigues Sena de Assunção, chefe da divisão de negócios de exportação dos Correios.
Lançado na cidade de Pedro II, no Piauí, para mostrar que qualquer empresário pode ter acesso ao serviço, são exportados atualmente pelo Exporta Fácil bijuterias, artesanato, vestuário, aparelhos ópticos e dentários, peças automotivas de pequeno porte. Em 2006, foram despachados cerca de 20 mil pacotes no valor de R$ 35 milhões. "O principal alvo do serviço é a pequena e média empresa, mas grandes empresas também usam o Exporta Fácil para mandar amostras de seus produtos", diz.
O empresário que quiser exportar por esse serviço deve ir a uma agência dos Correios, preencher um formulário específico, anexar a nota fiscal, a fatura comercial e entregar o pacote. Existem mercadorias, por exemplo, como alimentos, que têm exigências adicionais para ser exportadas. Todo o desembaraço na alfândega, comunicado da venda ao Siscomex e despacho da mercadoria é feito pelos Correios, destaca Lílian. Depois, o empresário recebe o pagamento em geral pelos bancos e o valor é declarado ao Banco Central. Há possibilidade também de preencher o formulário online, imprimi-lo e solicitar que os Correios retirem o pacote na empresa ou residência.
Os
preços do serviço variam de R$ 24 o pacote com meio quilo até R$ 1.680
no caso do Sedex Mundi. No caso de empresários que têm contrato com os
Correios, segundo Lílian, o pagamento pode ser feito em fatura com
prazo até de 40 dias.
"Os Correios trabalham com cerca de 200 países e os pequenos empresários podem exportar sem enfrentar problemas burocráticos", destaca Elder Lopes da Silva, chefe do Departamento de Operações e Negócios Internacionais.
A DHL, líder na indústria internacional de serviços expressos e de logística, também criou no Brasil um serviço, em 2006, de exportação para pequenas e médias empresas. No portal DHL Exporta, o próprio empresário providencia toda a documentação necessária, envia os dados para a Receita Federal e pode exibir o seu produto ao mercado. Com tudo pronto, o courier pega a mercadoria e a remessa é feita. A entrega é em 24 a 72 horas, dependendo do país.
"Parece que estamos delegando ao cliente todo o trabalho da exportação, mas na verdade, ele participa de toda a operação. A reação de pequenos e médios empresários é de alegria por ter o controle de um processo, porque não imaginavam que podiam fazer a operação. Ele prepara a documentação de forma correta e acompanha todas as etapas da exportação", afirma Fernando Cotarelli, diretor de vendas da DHL Express Brasil. O limite de volume de exportação, estabelecido por lei, é de 30 quilos por remessa e o valor de US$ 20 mil.
A empresa tem ainda o Import Express Online (IEO), também voltado para o pequeno e médio empresário, que faz remessas para 50 países. A DHL Express, numa segunda etapa, deverá lançar esse serviço para os 220 países onde atua. O IEO permite a comunicação entre o importador e o exportador sem intermediários. Tudo é feito pela internet.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico








