Empresários gaúchos ainda desconhecem as regras sobre crédito para exportação
Cerca de 60% dos atendimentos realizados este ano nas unidades do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul - SEBRAE-RS - dizem respeito a dúvidas sobre crédito. Desse total, apenas 1% são questões sobre crédito para exportação, informa a técnica responsável pelas soluções de crédito no setorial da indústria do Sebrae/RS, Débora Chagas.
Ela explica que grande parte dos empresários gaúchos desconhece as linhas de financiamento para empresas que exportam. Às vezes, o empresário vai buscar uma linha de capital de giro quando pensa em exportar e acaba pagando mais caro, afirma a técnica.
Segundo Débora, o financiamento para exportação destinado às pequenas empresas tem apresentado recuperação em 2009, depois de um período de oferta cara e escassa por conta da crise. Porém, as instituições financeiras se tornaram mais criteriosas, valorizando elementos como um plano de negócios e o estudo de viabilidade do projeto, documentos que muitas pequenas empresas não têm na hora de planejar a exportação.
De acordo com a consultora em desenvolvimento de mercados e estratégia e professora de marketing internacional da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Ana Cristina Schneider, é por esta razão que decorrem alguns dos percalços na busca de crédito junto aos bancos. A tomada de crédito de exportação por parte das pequenas empresas requer um trabalho de médio a longo prazo, explica. Para Ana Cristina, muitas vezes os empresários ignoram a necessidade de por no papel como pretendem usar o dinheiro que pleiteiam para levar o seu produto ao mercado.
Se os proprietários costumam fazer um pouco de tudo para gerenciar seus processos no mercado doméstico, ocorre o mesmo para o mercado internacional, afirma. Quando dou treinamentos de exportação, vejo que muitas empresas não sabem nem por onde começar.
Fernando Martinson Ruiz, autor da pesquisa exportações brasileiras: fatores explicativos da participação das micro e pequenas empresas (MPEs), lembra que existem hoje no Brasil mais de 5 milhões de micro e pequenas empresas e pouco mais de 10 mil exportadoras. O Rio Grande do Sul é o segundo maior Estado em número de MPEs exportadoras, com 1.512 estabelecimentos, que venderam ao exterior, em 2007, segundo os dados mais atuais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior (MDIC), US$ 337,4 milhões, de um total de US$ 13,6 bilhões exportado pelo Estado.
O pesquisador aponta que apenas uma pequena parte do universo dos micro e pequenos empresários em atividade considera a possibilidade de usar crédito para a exportação. A maioria das empresas, além de não conhecer ferramentas de crédito, não sabe nem as motivações e benefícios em se exportar, afirma.
Para ele, a oferta de crédito para vendas ao exterior à disposição das micro e pequenas empresas é satisfatória. O que impede o acesso são as garantias e a burocracia envolvidas no processo: As exigências de garantia ainda são muito grandes para o micro e pequeno empresário.
Para tentar contornar essas dificuldades, o Sebrae-RS promove desde o ano passado seminários sobre o tema crédito, onde instituições financeiras apresentam suas linhas de financiamento à exportação, entre outras modalidades, esclarecem dúvidas e orientam o empresário interessado. Para este ano, estão previstos encontros em oito municípios gaúchos.
Algumas instituições financeiras, como o Banco do Brasil, também desenvolvem seu próprio trabalho de orientação aos empresários quanto ao financiamento das exportações.
Temos uma ação junto às gerências e atividades de consultoria e treinamento para esclarecer e envolver os pequenos empresários para que tenham acesso ao mercado internacional, explica o gerente executivo da direção de comércio exterior da instituição, Everton Fauth. Em 2008, o banco treinou 14.669 pessoas nas áreas de câmbio e comércio exterior. No Proex Financiamento, linha destinada aos pequenos empresários, o Rio Grande do Sul foi o segundo Estado que mais recebeu recursos do programa, com R$ 81,1 milhões de janeiro a abril.
Para combater os efeitos da crise global na oferta de crédito, o governo federal, que determina as regras para o programa, suspendeu temporariamente a necessidade de apresentação de certidões como o Certificado de Regularidade de Situação do FGTS (CRF) e a Certidão Conjunta de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. A medida, segundo Fauth, pode ampliar o acesso ao crédito. No contato com os gerentes, percebemos que há uma dificuldade maior de reunir certidões, o que se espera que diminua a partir de agora, assinala. Acreditamos que os resultados positivos dessa iniciativa serão observados ainda neste exercício financeiro.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico








