Empresários portugueses querem vender mais bens de capital a brasileiros
Máquinas e equipamentos representam 30% das exportações de Portugal, mas o país vende ao Brasil apenas US$ 100 milhões por ano, diz Antônio José Louçã Pargana, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil e da Cisa Trading.
"O Brasil está aumentando as importações, mas quem
aproveita esse movimento é a França, a Espanha", afirma o empresário.
Pargana ressalta que as exportações portuguesas para o Brasil ainda
estão concentradas em produtos como azeites e vinhos. Em 2005, Portugal
representou 3,8% das vendas totais do Brasil para a União Européia. Em
contrapartida, as importações de produtos portugueses responderam por
apenas 1,3% do total comprado pelo Brasil do bloco.
Nos últimos dez anos, as exportações do Brasil para Portugal triplicaram. Em 1996, o país vendia US$ 324 milhões para os portugueses. Esse total atingiu US$ 1 bilhão em 2005. Já as exportações portuguesas para a ex-colônia estão estagnadas. Representavam US$ 219 milhões em 1996 e US$ 230 milhões em 2005.
O esforço exportador dos empresários portugueses acontece na esteira da visita do primeiro-ministro do país, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, ao Brasil. Ele chega a Brasília amanhã, quando se encontra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira, reúne-se com empresários em São Paulo. E, na sexta, visita o Rio de Janeiro. Na comitiva , estarão os ministros de Economia, Obras Públicas, Cultura e Relações Exteriores. "Demonstra a importância do Brasil como mercado e como parceiro", afirma Pargana.
A Câmara Portuguesa de Comércio encomendou à Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) um estudo sobre em quais setores Portugal pode aumentar as vendas ao Brasil. Mas Pargana deseja focar os esforços em bens de capital, porque notou a grande demanda brasileira por esses produtos.
"Nesse horizonte sem grandes variações do câmbio, há
um estímulo ao investimento em máquinas importadas", diz Pargana. A
Cisa Trading presta serviços para 200 clientes e deve movimentar R$ 2,2
bilhões com importações esse ano - matérias-primas e máquinas e
equipamentos somam quase 90% desse total. Pargana conta que os volumes
movimentado pela trading devem aumentar 20% este ano. "É evidente que o
dólar barato favorece a importação. Mas também traz máquinas e
matéria-prima barata para os setores que importam insumos", afirma."
Fonte: Valor Econômico - Raquel Landim e Raquel Balarin - http://web.iea.com.br/funcex - 09/8/2006








