Empréstimo para exportação inicia ano com queda de 20%
Se entre setembro e novembro de 2008, auge da crise financeira, os
exportadores não tinham acesso a linhas de crédito, decorrente da falta
de oferta por parte dos bancos, nos primeiros dias deste ano o baixo
número de contratos de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC) e
Adiantamento de Contratos Entregues (ACE) se dá tanto pela postura mais
restritiva das instituições financeiras como pela falta de demanda por
parte do exportador.
De acordo com o diretor da área internacional do banco Santander no
País, Mauro Albuquerque, a forte desaceleração econômica internacional
se une a um período sazonalmente mais fraco para o comércio exterior.
"Os primeiros dias do calendário são tradicionalmente mais lentos
devido ao período de férias e a demanda de caixa que as empresas
enfrentaram no fim do ano. Com a crise, entretanto, os pedidos sofreram
uma redução ainda maior", diz o diretor.
Segundo
dados do Banco Central, do primeiro dia do ano até o 16 de janeiro, o
saldo de ACC estava em R$ 1,324 bilhão, ante estoque de R$ 1,643 bilhão
no mesmo período de 2008, uma redução de aproximadamente 20%.
Já
no Bradesco, a diretora de Câmbio da instituição, Marlene Millan, diz
não ter notado redução nos pedidos. Segundo ela, o banco não tem
declinado operações por falta de linha. "Temos conseguido atender a
todas as demandas de curto prazo". Segundo ela, os pedidos estão sendo
supridos graças aos leilões do Banco Central visando o crédito aos
exportadores.
Além
disso, ela diz que o banco vem mantendo uma média de 60% de renovação
das linhas desde o agravamento da crise, em setembro do ano passado.
Marlene
também diz que os efeitos da crise são sentidos desde 2007, porém
piorou após a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman
Brothers, em setembro. "Em um primeiro momento, em julho de 2007, houve
um aumento dos spreads para essas linhas. Desde a segunda quinzena de
setembro do ano passado sentimos um problema de falta de linhas nos
bancos internacionais". Com essa escassez, diz ela, não foi possível
manter todas as renovações, com cerca de 40% de perda.
Albuquerque
também afirma que, localmente, há mais dificuldades para captar
recursos junto a outros bancos (custo maior e oferta menor), mas
ressalva que as linhas disponibilizadas pelo Banco Central têm
minimizado o problema. O executivo do banco espanhol lembra ainda que a
indisponibilidade de cobertura de risco, que inclui prazo de entrega e
de transporte, inviabilizou alguns negócios e o exportador optou,
simplesmente, por não embarcar. "A falta dessa cobertura se dá tanto
pela piora do balanço das empresas, como pela situação difícil dos
bancos estrangeiros, que reduziram a oferta de crédito", explica.
Além
disso, conta, as exigências dos bancos estão maiores e os prazos
menores. No caso do Santander, o banco trabalhava, geralmente, com um
prazo de 180 dias. "Agora, os prazos giram entre 90 e 120 dias. Estamos
usando a linha de forma mais seletiva, com um processo interno de
aprovação mais longo e criterioso", revela o diretor do banco espanhol.
Em
relação a inadimplência, o executivo diz que o banco ainda não a sentiu
nas linhas de comércio exterior. Por outro lado, Albuquerque afirma que
as empresas têm procurado a instituição para alongar prazos. "São
alongamentos curtos, apenas para necessidades específicas de caixa.
Acontece que nos ACCs geralmente havia uma antecipação do pagamento,
pois o exportador o pedia antes por conservadorismo e se tudo saísse de
de forma normal, ele quitava o contrato antes", diz.
No
Bradesco, as linhas também estão limitadas a 180 dias. Na inadimplência
a diretora diz que não houve atrasos nos pagamentos. "Até porque é uma
linha de curto prazo e os tomadores já são clientes tradicionais da
instituição", explica.
Sobre
uma previsão de melhora, Albuquerque projeta entre três e seis meses
para haver um sinal positivo dentro do mercado. "No balanço das
empresas, essa melhora irá demorar de dois a três trimestres", finaliza.
Fonte: http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?cod=23318&tipo=noticia - DCI








