Encontro aproxima produtoras de acessórios e indústrias
O I Encontro Paranaense da Cadeia Moveleira,
organizado pelo Sebrae/PR e pelo Núcleo das Indústrias de Produtos
Plásticos e Acessórios de Arapongas e Região (Nipar), reuniu nesta
quarta-feira (7), no Expoara, em Arapongas, especialistas em mercado
moveleiro, fabricantes de móveis, acessórios e componentes mobiliários
e diversos profissionais ligados ao setor.
A abertura do evento
contou com a presença de Jonas Bertão, empresário e membro do Nipar;
Júlio Cezar dos Santos Rodrigues, consultor do Sebrae/PR em Arapongas;
Davi de Oliveira Ribeiro, diretor da Secretaria da Indústria e Comércio
de Arapongas; Irineu Munhoz, coordenador regional do Sistema da
Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP); Agnaldo Esteves,
presidente do Sicredi Agroempresarial e Irineu Antônio Borrasca,
empresário e diretor do Expoara.
O consultor do Sebrae/PR
lembrou que a realização do evento foi fruto do empenho das empresas e
instituições. “Eventos como esse resultam do bom relacionamento entre
os produtores de móveis e contribuem para a melhoria da competitividade
de todas as empresas da cadeia produtiva. Destaco a participação das
empresas do Nipar e de todos os que contribuíam para que o Encontro
acontecesse”, disse Júlio Cezar dos Santos Rodrigues.
Jonas
Bertão explicou que o Nipar objetiva promover a cooperação das empresas
por meio de ações conjuntas, fortalecer os laços comerciais, buscar
soluções em tecnologia e mercado, além de incentivar a capacitação e
qualificação da mão-de-obra local.
“Nossa intenção é que as
fornecedoras do pólo moveleiro de Arapongas sejam reconhecidas como
empresas qualificadas e que sejam parceiras em projetos de pesquisa e
desenvolvimento, assim poderemos desenvolver novos materiais e inovar
em processos, criando um diferencial para a cadeia moveleira do norte
do Paraná”, esclareceu.
Irineu Munhoz entendeu que o Encontro da
Cadeia Moveleira “é importante para disseminar conhecimentos e
estreitar relacionamentos entre as empresas produtoras de acessórios e
a indústria moveleira”.
“O evento demonstra que o
comprometimento e visão de futuro dos empresários de Arapongas tem se
refletido em desenvolvimento e tornado o município referência em
produção de móveis”, enfatizou o consultor Davi de Oliveira Ribeiro.
Na
avaliação de Júlio Cezar dos Santos Rodrigues, o evento foi um sucesso.
“O número de visitantes, cerca de 300 pessoas, superou nossa
expectativa. Atraímos um público qualificado que ficou satisfeito com a
programação deste evento e já está interessado em saber a data do
próximo Encontro”, avaliou o consultor do Sebrae/PR.
As mídias de massa
O
especialista em e-commerce, diretor da empresa BabelTeam e fundador do
clube de empresários e profissionais de marketing 14-Bis, Jorge
Aldrovandi, destacou em sua palestra os fatores que transformam um
produto médio em produto excepcional.
“As mídias sociais não são
o veículo mais idôneo para ajudar os empresários. Mudanças tecnológicas
impactaram profundamente a sociedade e as empresas. Um só tamanho não
basta para atender as necessidades dos consumidores modernos. Vivemos na era de nichos, e já não há barreiras para o acesso à informação”, destacou Jorge Aldrovandi.
O
especialista em e-commerce explicou o conceito de despadronização e
chamou atenção para o fato de hoje ser possível produzir um produto
único para um único consumidor a um custo baixo.
“A sociedade não compra mais por necessidade e sim por desejo. É
influenciada por elementos subjetivos. Um dos impactos da
despadronização é que a fábrica deixou de ser o elemento mais
importante na geração de valor do produto. Hoje as empresas contratam
pessoas com capacidade de imaginação e aprendizado”, observou.
Aldrovandi
também ressaltou que as mídias de massa funcionam cada vez menos. “Há
muitas opções de canais de comunicação e é preciso atentar para a
geração do polegar, os jovens. A sociedade deixou de ser sincronizada.
O Google substituiu as páginas amarelas. O que não está no Google não
existe. As decisões são tomadas com base em um sistema de convicções
que precisa ser revisado constantemente pelos empresários. Os produtos
não são mais commodities, são o que as pessoas sentem em relação a
eles. Hoje, o marketing consiste em contar histórias e fazer com que
pessoas acreditem nesses conceitos e se disponham a repassá-los. Para
sobreviver no mercado é preciso aliar produção, design e história.
Apenas uma boa manufatura não é mais suficiente para gerar lucro”,
orientou.
China, desafios e oportunidades
O
consultor e ex-executivo da Usiminas e Vale do Rio Doce Elias Antunes
abordou os desafios e oportunidades de negócios para a indústria
moveleira na China. Desde abril deste ano, a China passou a ser maior
parceiro comercial do Brasil. A China é a maior produtora mundial de
móveis, responsável por 25% da produção e 23% das exportações mundiais.
Exportou em 2008 US$ 19,8 bilhões, um aumento de 21% em relação a 2007.
“As
indústrias de móveis chinesas estão migrando para o Vietnã, que vai se
tornar um grande comprador de produtos brasileiros. O Vietnã está
utilizando a madeira das seringueiras como matéria-prima. A China
perdeu grande parte dos mercados dos Estados Unidos e Europa e está se
concentrando na América Latina e África”, comentou Elias Antunes.
Até
junho de 2009, a corrente de comércio Brasil – China, que é a soma das
exportações mais as importações, totalizou US$ 17,2 bilhões, com
superávit favorável de quase 3,7 bilhões para o Brasil. Em 2008, a
corrente de comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões, com
superávit favorável à China de US$ 3, 6 bilhões.
“A China não
pode deixar de comprar do Brasil minério de ferro, soja, milho e carne
de frango, já o Brasil pode deixar de adquirir vários produtos. Com a
crise, o Brasil reduziu as importações da China drasticamente. Isso é
uma oportunidade para o nosso País. A China está propensa a vender
produtos com mais qualidade e preços ainda mais competitivos. A questão
da escala da China é o grande fator para a competitividade. O país
compra e vende muito barato. Os investimentos em infraestrutura e as
políticas fiscais são favoráveis”, afirmou Elias Antunes.
O
consultor enfatizou que os pontos fracos da China são os passivos
ambientais e trabalhistas, estrutura produtiva deficiente, excesso de oferta
de produtos de baixa qualidade, muita imitação e pouca criatividade,
transferência de indústrias menos eficientes para o Vietnã.
Elias Antunes encerrou a apresentação deixando algumas dicas para os empresários de móveis. “Tem que ir à China para sentir
aquele mercado, não basta ler livros e assistir palestra, visitar tudo
o que for possível. Se possível, instalar-se na China. O que interessa
é a funcionalidade. Temos muito a aprender com os chineses”, frisou.
Gestão comercial
Durante
apresentação sobre gestão comercial de representantes, Marlon Vaz,
coach empresarial e empresário da Metaplano Gestão Mercadológica e da
VoxMax Provedor de Telefonia, esclareceu que tendência mundial em todos
os segmentos é a busca pela proximidade com o cliente e pelo tratamento
e atendimento especializado. Segundo Marlon Vaz, a representação
comercial é um canal de vendas que pode proporcionar a velocidade e a
proximidade necessárias para uma maior competitividade frente aos
clientes.
“A competitividade das empresas se baseia no tripé
produtos, serviço e relacionamento com o mercado. Tornar um produto
competitivo implica em velocidade e trabalhar com inovação e design. É
preciso prospectar o tempo todo. Tem que ter um mapeamento dos locais”,
disse Marlon Vaz.
A Gestão Comercial através de Representantes é
um desafio que exige planejamento, treinamento e monitoramento. “Fazer
o alinhamento do profissional e do comercial com o conceito da empresa
é uma tarefa difícil, pois exige que ele seja preparado sobre as
características de cada mercado de atuação, concorrência, clientela e
comportamento do consumidor. Além disso, é preciso desenvolver material
de apoio às vendas. Uma gestão comercial com metodologia é o caminho
para manter-se competitivo em um mercado cada vez mais globalizado”,
ensinou Marlon Vaz.
Inovação em design
Na opinião
de Charles Bezerra, diretor executivo da Gad’Innovation, o Brasil está
precisando ousar mais em relação ao design de móveis. “O Brasil tem
muito potencial para desenvolver um estilo próprio. Há muitas demandas
por parte do consumidor que não estão sendo atendidas. Há muitas
oportunidades para as empresas. Para avançar, o País precisa investir
muito em inovação, de forma sistêmica e capaz de envolver a liderança,
a cultura, os processos, as pessoas da organização, auxiliando a
organização a entender o presente e pensar o futuro”, comentou Bezerra.
Para
Charles Bezerra, o Brasil é um país que tem uma grande oportunidade no
setor de móveis, com capacidade de criar um estilo próprio de fazer
design de mobiliário e se diferenciar da Itália, Estados Unidos e
Europa. “Acho que não precisamos copiar ninguém. Mas é preciso mudar a
maneira do processo de desenvolvimento. É preciso testar e experimentar
mais, o que é diferente de se basear apenas em tendências. Tem que
pensar em inovação. E inovação tem a ver com mudança e mudança, com
oportunidade. A indústria e o designer não estão se falando como
deveriam. Esse profissional está sendo usado superficialmente, apenas
como forma e não como definição das coisas”, notou.
O diretor
executivo da Gad’Innovation observa que as empresas moveleiras precisam
ir além do como fazer. “É preciso investir em questões como para quem
fazer, porque fazer, quando fazer e desenvolver mais pesquisas,
metodologias e práticas para responder a essas perguntas. Isso é tão
importante quanto as máquinas. É preciso criar técnicas. É algo
complexo, mas tem que ter coragem e disciplina para se fazer isso. Há
empresas interessadas em respostas rápidas que se esquecem de fazer as
perguntas importantes, para isso é preciso manter um time que pense
além e gere novos posicionamentos”, advertiu.
Charles Bezerra
considera a cadeia moveleira de Arapongas uma excelente oportunidade.
“Fiquei surpreso com o tamanho dessa cadeia. Essas empresas têm escala,
força, união e podem aproveitar esses fatores para pensar o futuro.
Elas só têm uma alternativa que é aumentar o valor do produto. O design
ajuda nessas questões por ser mais que forma, por ser uma forma de
pensar”, analisou.
Indústria de acessórios
Há
cerca de 300 indústrias de acessórios em Arapongas. São fabricantes de
peças de plástico (como puxadores, pé de móveis, cantoneiras
corrediças, dobradiças, sistemas de porta de correr, grades para berço,
cabideiros e calceiros) e de outros materiais, como parafuso, vidro,
madeira, embalagem e de serviços de logística, entre outros.
Nipar
O
Núcleo das Indústrias de Produtos Plásticos e Acessórios de Arapongas e
Região (Nipar) foi constituído em setembro de 2007 e faz parte do APL
(Arranjo Produtivo Local) de Móveis de Arapongas. Integram o Nipar, as
empresas PlastCruz, FixFácil, Jeo-Plast, Joelini, GamPlast e Primaflex,
que se reúnem periodicamente para planejar ações e traçar estratégias.
O
Nipar apresenta capacidade de processamento de seis mil toneladas/ano
de plásticos pelos processos de injeção, sopro, reciclagem, extrusão de
tubos, perfis e filmes e utiliza 80% de plástico reciclado, além de
gerar em torno de 200 empregos diretos.
Destaque
O
município de Arapongas, na região norte do Paraná, é um dos maiores
pólos da indústria moveleira do País e o primeiro do Estado. Sedia 199
indústrias de móveis, que respondem por 64,75% do PIB do município e
geram 8.951 empregos diretos e 2.473 empregos indiretos.
O
faturamento anual do pólo moveleiro de Arapongas ultrapassa R$ 1
bilhão. Em 2008, o Brasil faturou R$ 22,5 bilhões com a indústria
moveleira. A indústria de acessórios e componentes para móveis é de
fundamental importância para a competitividade da indústria moveleira.
Fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=9&id_noticia=303935








