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Entre vantagens e prejuízos, qual o saldo das relações brasileiras com a China?

Aparentemente, a relação sino-brasileira se apresenta benéfica a ambos. Enquanto os chineses necessitam de massivas importações de commodities para manterem suas altas taxas de crescimento econômico, o Brasil possui vasto leque de recursos naturais, que sustentam boa parte de sua balança exportadora.

Nesta relação mutualista, de fato, as relações comerciais entre os dois países tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Em 2007, as exportações para a China corresponderam por 7% da cartela total de exportações brasileiras.

Número modesto, mas que confere à China a posição de terceiro maior cliente dos brasileiros, atrás somente dos EUA e União Européia. E se depender da expansão que as relações bilaterais com os chineses vêm reportando ano a ano, o gigante asiático tem tudo para crescer ainda mais neste ranking.

Setor manufatureiro prejudicado

Se a história parasse por aqui, seria ótimo. Mas um fator atua como agravante nas relações China-Brasil: a maior competitividade dos produtos manufaturados chineses, que vêm solapando o desenvolvimento da indústria nacional em setores como o de brinquedos e calçados.

Na visão de Markus Jaeger, economista do Deutsche Bank, os baixos custos de mão-de-obra chinesa, seu maior crescimento na produtividade e a taxa de câmbio apreciada constituem-se como vantagens ao setor manufatureiro chinês, que com isso, se constitui sim como uma real ameaça não somente às manufatureiras brasileiras, mas bem como ao setor de tecnologia mais avançada do país.

"A China encontrará muito mais facilidade em evoluir de um setor manufatureiro de baixa tecnologia a segmentos mais elevados do nível tecnológico do que o Brasil", afirma Jaegger. Outro elemento agravante nas relações bilaterais com a China é a baixa taxa de investimentos do país asiático no Brasil, a despeito do prometido pelo governo comunista.

Vantagens brasileiras

Deste modo, Jaegger julga improvável que o Brasil se torne uma potência manufatureira como é a China. Entretanto, isto não implica na inexistência de vantagens comparativas brasileiras em relação a outros países, principalmente no âmbito da exploração e comercialização de recursos naturais.

"O Brasil é um dos poucos países a possuir uma auto-suficiência no que tange aos recursos naturais, além de um relativo sofisticado nível de pesquisa em setores econômicos promissores, como o etanol e biocombustíveis, o que o posiciona em uma posição única entre os mercados emergentes abundantes em recursos", pondera o analista do Deutsche Bank.

Reformas ditarão ameaça chinesa
Neste contexto, qual o saldo que fica entre as especificidades das relações entre China e Brasil, bem como de suas estratégias de crescimento econômico? Na leitura de Jaegger, muito pouco. Ainda que um modelo de crescimento sustentado em exportações tenha se provado eficiente ao longo dos anos, não é um superávit comercial que orienta um país a uma melhor condição econômica frente ao resto do mundo.

Ao invés, tal incumbência cabe ao crescimento de produtividade da economia do país. "A chave para um crescimento econômico é a implementação de reformas econômicas domésticas, pouco importando se a pauta exportadora deste país é calcada no setor manufatureiro ou em commodities", afirma Jaegger, que vai além: "a ameaça que a China representará ao Brasil dependerá da disposição deste em aplicar reformas estruturais".

Fonte: Infomoney / http://www.administradores.com.br/

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