Exportação da indústria vem perdendo peso no PIB gaúcho
Alerta preocupante para a economia do Rio Grande do Sul, que sempre dependeu das exportações: a cada ano, o comércio de produtos industrializados para o exterior representa menos no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A queda tem sido registrada desde 1998, com o início do período de valorização do real e com o aumento do preço das commodities, devido ao crescimento da China.
Entre 1994 e 1998, este cenário era bem diferente. “Foi o auge da participação de produtos industrializados no PIB do Rio Grande do Sul”, diz a economista Teresinha da Silva Bello, da Fundação de Economia e Estatística (FEE). “Aliás, o Estado sempre teve maior participação das exportações no PIB do que todo o Brasil. As exportações sempre foram mais importantes para a economia gaúcha, do que para a economia brasileira”, compara.
Segundo ela, o momento atual requer do empresariado estudos para diversificar produtos intensivos em trabalho, com destaque para mão de obra barata. Encontrar novos nichos no mercado e produtos que possam ocupar o espaço que a indústria gaúcha perdeu para a China são sugestões da economista.
Ela ressalta que a grande competitividade da indústria do Rio Grande do Sul se originava nos produtos intensivos em trabalho, lembrando que os tradicionais, como calçados, foram “desbancados” pela concorrente asiática. Teresinha foi uma das palestrantes nesta quinta-feira do evento de lançamento da coletânea Três Décadas de Economia Gaúcha, que reunirá quatro volumes. O artigo Alterações no Perfil das Exportações, desenvolvido por ela e outros dois colegas, analisa o comércio exterior de produtos gaúchos entre 1989 e 2008 revelando as maiores transformações na pauta exportadora do Rio Grande do Sul.
O conteúdo de outros dois de 27 textos publicados em três livros (o quarto será ilustrativo, com mapas) foi apresentado ao público pela equipe que contribuiu para a publicação da FEE. Adelar Forchezatto, presidente da instituição, explicou que o trabalho reúne diversos estudos com temas diferentes, mas unidos pelo objetivo de “analisar a evolução e as transformações da economia gaúcha nos últimos 30 anos”. “É uma publicação que mostra como a economia do Estado foi influenciada, e como reagiu a um período de transformações econômicas e sociais, marcado pelo surgimento da nova economia na década de 1980” – voltada para o setor terciário, e com tecnologia da informação e comunicação disseminadas. O segundo aspecto deste período é a abertura econômica, com o processo de globalização, e o terceiro é a estabilidade macroeconômica, a partir de 1994, com âncora cambial e metas de inflação. “São três elementos que mostram o período de transição da economia do Estado”, destacou.
Fonte: Boletim Comexleis 1888 - 12/11/2010








