Exportação em baixa faz desembolso cair no BNDES
A queda das exportações e o custo das linhas de financiamento acima do mercado derrubaram os desembolsos do BNDES no apoio aos exportadores brasileiros nos primeiros quatro meses do ano. De janeiro a abril, o BNDES-Exim, braço de exportações do banco, liberou US$ 1,1 bilhão, 39% abaixo de igual período de 2008. O resultado foi determinado pelo comportamento das linhas de pré-embarque, que financiam a produção do bem a ser exportado.
A menor demanda por financiamentos no pré-embarque reflete a redução nas perspectivas de exportação das empresas brasileiras. Os desembolsos na linha pré-embarque somaram US$ 435,3 milhões de janeiro a abril, queda de 71% sobre o primeiro quadrimestre de 2008.
Em compensação, as liberações nas linhas de pós-embarque, que financiam a comercialização de bens e serviços no exterior, totalizaram US$ 698,2 milhões, com alta de 93% sobre janeiro-abril de 2008. O aumento nos desembolsos do pós-embarque é resultado de operações estruturadas cujas liberações de recursos se dão em etapas e a longo prazo. Os principais destaques no pós-embarque foram operações de apoio à exportação de aeronaves da Embraer para Estados Unidos e França (US$ 223,8 milhões). O valor inclui exportação de bens e serviços para Angola (US$ 211,8 milhões) e Argentina (US$ 158,8 milhões).
De janeiro a abril, as operações de ACC (Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio) e pagamento antecipado apresentaram queda de 36%, segundo dados do Banco Central, um pouco abaixo da redução consolidada de 39% nos desembolsos do BNDES-Exim no período. Se forem analisadas só as operações de ACC, a queda no quadrimestre foi menor, da ordem de 25%.
Só em abril, os desembolsos do BNDES-Exim somaram US$ 308,5 milhões, com redução de 22% sobre o mesmo mês do ano passado.
Luiz Antonio Araujo Dantas, superintendente do BNDES-Exim, disse que alguns setores reduziram exportações e ficaram mais cautelosos de tomar financiamentos nas linhas de pré-embarque. Ocorre que quando uma empresa contrata a linha de pré-embarque ela se compromete a exportar o produto financiado em prazo determinado e, se não o fizer, é penalizada com uma multa. O prazo das operações que era de 24 meses foi ampliado para 36 meses. Com o cenário externo adverso, as empresas baixaram os valores contratados.
O custo das linhas do Exim, que foi reduzido este mês, também contribuiu para a queda nos desembolsos até abril. Agentes financeiros do BNDES, que atuam no repasse das linhas à exportação, dizem que antes da redução anunciada pelo banco, na semana passada, o custo das linhas de pré-embarque era salgado. A avaliação agora é de que as linhas do Exim ficaram mais competitivas reduzindo a diferença de custo que as separava das linhas comerciais.
Entre os agentes, há expectativa de aumento na demanda pelas linhas do Exim. As empresas passaram a cotar em maior número os novos custos do Exim junto a alguns agentes financeiros. Mas ainda será preciso esperar um pouco para ver nas estatísticas se a redução dos juros irá aumentar o apetite das empresas pelas linhas à exportação do BNDES. Nas operações de pré-embarque, o custo das operações para o grupo I (equipamentos) passou a ser de 9,05% ao ano mais o spread do agente financeiro. No caso do grupo II (demais bens), o custo do BNDES ficou em 9,55% ao ano mais spread.
Em paralelo à redução de custos, o BNDES começa a estudar a possibilidade de passar a atuar na oferta de garantias e seguros contra riscos políticos e comerciais de importadores. Esse é o tipo de operação que falta no portfólio para o Exim tornar-se uma agência de crédito à exportação nos moldes de instituições estrangeiras, como a canadense EDC. Hoje, o BNDES já apoia a internacionalização de empresas exportadoras.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico








