Exportações brasileiras têm previsão de queda de 11%
As exportações brasileiras devem cair pelo menos 11% em volume em 2009,
e a redução mundial do comércio já passa a ser equivalente à queda nos
anos 1930. Pior: uma plena recuperação do fluxo de comércio aos níveis
de 2007 e 2008 deverá ocorrer apenas a partir de 2012.
Os dados
foram divulgados ontem pelo Escritório de Análise Econômica da Holanda,
considerada uma entidade de referência sobre dados comerciais. A
constatação é de que a América Latina terá um dos piores resultados
comerciais neste ano. No mundo, a nova projeção indicou ontem uma queda
do comércio de 12,5% em volume em 2009. Para 2010, os países ricos
continuarão a sofrer queda das exportações.
Como o Estado
antecipou no domingo, os especialistas holandeses estimavam que o
comércio mundial iria encolher em mais de 10% em 2009, bem acima de
qualquer previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em valores,
a queda seria de 22%.
Esses números não eram vistos desde os
anos 30. A partir de 1945, não há nenhum registro de quedas como a que
teremos neste ano, afirmou Wim Suyker, autor da projeção. O
encolhimento do comércio é drástico e afetará em cheio a América
Latina. A queda na demanda nos países ricos, a falta de créditos para
exportação e ainda as medidas protecionistas devem aprofundar a crise
no setor comercial.
A América Latina sofrerá uma queda de
11,5% nas exportações no ano. A redução é a maior entre todas as
regiões de países em desenvolvimento. Na Ásia, a queda será de 10,75%,
ante 6,5% apenas na China.
Os últimos meses de 2008 já tiveram
um impacto no comércio latino-americano. O ano terminou com uma queda
de 2% no volume exportado pela região ao mundo e a América Latina foi o
único continente a sofrer uma contração.
O Brasil, por sua
dependência em exportações de commodities, será um dos países mais
afetados, afirmou Suyker. Segundo ele, a queda deverá ser de pelo menos
11%. Outro país na região que sofrerá em 2009 será o México, diante de
sua relação comercial de proximidade com a economia americana, em plena
recessão.
Parte da explicação para o resultado negativo no
Brasil está nos países ricos. A previsão é de que os Estados Unidos
reduzirão as compras de produtos importados em 14% em volume em 2009.
Na Europa, a queda será de 10,5%, e no Japão de 20%. Já a China, um dos
principais mercados para as exportações latino-americanas, sofrerá
redução nas importações de 9,5% em 2009. A queda das importações na
América Latina também será substancial, com 12,5% neste ano, após um
crescimento de 3,5% em 2008.
Entre os países ricos, as
estimativas apontam para uma queda das exportações de 13,75% em 2009.
Nos Estados Unidos, a redução será de 16% em volume, ante 23% no Japão
e 12,5% na Europa. Já em 2008, o comércio dos países ricos ficou
praticamente estagnado, com alta de apenas 0,7%, já afetados pelos
últimos três meses do ano.
O Escritório de Análise Econômica
da Holanda, porém, destaca que as exportações mundiais terão leve
recuperação em 2010, com alta de 2,25% graças à recuperação da Ásia. A
taxa é ainda menor que a de 2008, de 2,7%. A recuperação tímida indica
que o mundo levará alguns anos para voltar a ter os mesmos volumes de
comércio de 2007 e 2008. Segundo especialistas, isso poderia ocorrer
apenas em 2012 ou 2014.
No caso da América Latina, a estimativa
é de que as exportações voltem a se expandir em 2% em 2010, em
comparação aos níveis baixos de 2009. A taxa será bem abaixo dos demais
emergentes, que, em média, vão crescer 4,25%.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/O Estado de São Paulo








