Exportadores cobram ação
Os setores exportadores mais afetados pelo real forte aguardam ansiosos
pelo anúncio, prometido recentemente pelo ministro do Desenvolvimento,
Fernando Pimentel, de um pacote para estancar perdas. Medidas para
impedir o derretimento do dólar e até mesmo desvalorizar o câmbio estão
no topo da lista de reivindicações das empresas, que também esperam
alívio na carga tributária e, em certos casos, barreiras à importação.
A
expectativa com a divulgação de um plano de defesa da produção nacional
nos próximos dias cresceu, após Pimentel ter endossado publicamente a
preocupação de industriais com a concorrência desleal de importados -
sobretudo, os produtos chineses -, prometendo uma reação do governo. O
ministro informou que as medidas não têm data para serem adotadas e
estão em "fase de formatação", mantendo o sigilo para evitar
especulações.
Apesar de ter registrado crescimento de 11% em 2010 e ser beneficiada
com a elevação doimposto de importação, de 20% para 35%, em dezembro, a
Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) quer mais
para competir com a China, de onde vêm 90% dos artigos importados. O
setor espera reconquistar mais 5% do mercado doméstico, hoje dominado
pelos produtos estrangeiros, que respondem por 60% das vendas. "O Brasil
é um dos poucos a resistir aos fabricantes chineses, donos de 85% da
produção mundial e que cresceram, aqui, 41% no ano passado", disse
Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq.
TRIANGULAÇÃO O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias
de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, também considera a questão
cambial como crucial no momento e sublinha a desvantagem dos fabricantes
nacionais diante do custo baixo dos concorrentes asiáticos. Além da
necessidade de ganhar mais competitividade interna com desonerações de
impostos, os calçadistas cobram mais vigilância das autoridades contra a
estratégia dos chineses de exportar via terceiros países, driblando a
tarifa antidumping (de US$ 13,83).
A chamada triangulação já provocou aumento expressivo, de até 1.300%,
dos volumes importados de países não tradicionais no ramo, como Vietnã,
Malásia, Indonésia e República Dominicana. O volume de importação de
partes de calçados também disparou. Para isso, o setor pede a extensão
da sobretaxa aos chineses às importações desses países e sobre itens
desmontados.
Para alguns empresários, como os fabricantes de roupas, nem mesmo a
proteção já conquistada de 35% do Imposto de Importação, percentual
máximo permitido, é suficiente para compensar a desvantagem cambial. "Um
dólar na casa de R$ 1,70 zera a alíquota. O ideal seria R$ 2,30",
afirma Ronald Masijah, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário
Feminino de São Paulo (Sindivest-SP). Sua entidade pede ainda ao
governo uma redução de encargos trabalhistas, sem prejuízo dos salários,
como forma de preservar a atividade, que mobiliza muita mão de obra.
"Não queremos benesses, só condições de competitividade", acrescentou.
PEDIDOS
Os protestos dos exportadores envolvem fabricantes de diferentes portes.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee),
por exemplo, pede ao governo que eleve a alíquota do Imposto de
Importação sobre equipamentos de geração, distribuição e transmissão de
eletricidade, de 12% para 35%. De olho em grandes projetos, como o da
hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), a entidade alerta para o
risco de que empresas brasileiras, diante da valorização cambial, fiquem
de fora de concorrências internacionais.
Fonte: http://www.global21.com.br (20/01/2011)








