Exportadores começam a virar o jogo
"Fabricantes de calçados, móveis , alimentos e até de tecidos, produtos manufaturados com forte presença no mercado internacional, decidiram parar de lamentar os efeitos negativos da baixa cotação do dólar em relação ao real nas vendas externas e começam a virar o jogo das exportações."
Por Márcia de Chiara - O Estado de São Paulo
"As
alternativas para reverter a queda nas vendas incluem desde o aumento
da fatia no mercado doméstico, passam pelo corte nos custos e chegam ao
caso extremo, que é a "exportação" de fábricas para países vizinhos,
como a Argentina.
A mudança no humor das indústrias exportadoras
fica nítida na prévia da 160ª Sondagem Conjuntura da Indústria de
Transformação da Fundação Getúlio Vargas. Para 8% das 513 indústrias
consultadas, o nível de demanda externa aumentou neste mês e para 13%
houve queda. Em julho de 2005, 5% das companhias informaram que a
demanda externa crescia e 28% disseram que recuava.
De acordo
com a pesquisa, a diferença entre o porcentual de empresas que avaliam
a demanda externa positiva e negativamente é hoje de 5 pontos
porcentuais negativos, um resultado bem melhor do que os 23 pontos
negativos de julho de 2005. Também está acima da média dos saldos dos
últimos 10 anos, que é de 10 pontos porcentuais negativos.
"Até
abril, o câmbio vinha sendo apontado como o vilão, o fator limitante da
produção industrial", observa o coordenador da pesquisa, Aloisio
Campelo Jr. Na sondagem anterior, muitas empresas chegaram a fazer
queixas abertas contra o câmbio, principalmente o setor têxtil e de
vestuário, lembra o economista. Ele ressalta que expectativas em
relação ao mercado externo vinham se deteriorando gradativamente, mas
agora algo mudou.
"Faz seis meses que abolimos a palavra crise",
afirma Paulo Santana, diretor comercial e de Marketing da Azaléia, a
maior fabricante de calçados manufaturados do País. A empresa, que no
fim de 2005 chegou a fechar uma fábrica no Sul, decidiu ampliar as
vendas internas para compensar a queda de quase 60% nas exportações em
3 anos.
Em 2003, quando o câmbio começou a ratear, ela exportava
9,5 milhões de pares de sapatos. Para este ano, a previsão é vender 4
milhões de pares no mercado externo, que deve representar 11% dos
faturamento, ante 20% no ano passado.
Santana conta que a saída
encontrada foi se voltar agressivamente para o mercado doméstico com o
lançamento de três novas marcas. A primeira é voltada para o mercado de
pré-adolescentes e já responde por 5% das vendas. A segunda marca é de
um tipo de calçado que mistura sapato com tênis, o sapatênis, que
representa 10% do faturamento.
A última tacada foi dada no
início deste mês. Pela primeira vez em 50 anos, a empresa optou por uma
linha de calçados femininos para as classes de maior poder aquisitivo.
"Nosso foco sempre foi sapato de volume", diz Santana. "A briga vai ser
feroz para dividir a mesma fatia do bolo do mercado interno", prevê.
Essa
disputa já foi sentida pela Santana Têxtil, fabricante de índigo. "O
dólar em baixa nos atrapalhou porque os grandes exportadores deixaram
de exportar e ampliaram a oferta no mercado interno", diz Daniel Moura,
diretor comercial da empresa.
Para driblar a concorrência e se
tornar mais competitiva nas exportações, a companhia, que exporta de 8%
a 9% da produção para países da América do Sul, decidiu investir US$ 15
milhões numa fábrica na Província do Chaco, na Argentina.
Segundo
Moura, a decisão de erguer a quinta fábrica do grupo num país vizinho
foi motivada por uma conjugação de fatores. Entre eles estão escapar
das cotas na importação de tecidos impostas pelo Mercosul e aproveitar
o potencial de consumo do mercado argentino, que é crescente. O fato de
o peso argentino ter uma relação mais favorável do que o real em
relação ao dólar e de o custo naquele país ser menor deve favorecer as
exportações da Argentina para a América do Sul."
Fonte: http://web.iea.com.br/funcex








