Fabricantes de materiais de construção têm melhor ano em duas décadas
Após fechados os balanços de vendas, as indústrias fabricantes de materiais de construção estão comemorando o melhor ano das últimas duas décadas.
De acordo com dados que a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulga oficialmente hoje, o faturamento do setor cresceu 15,5% em 2007, o melhor resultado desde 1985, chegando a casa dos R$ 73 bilhões. "Nas últimas duas décadas não tivemos um ano sequer com crescimento de dois dígitos, estamos vivendo um momento novo, uma mudança de patamar", afirma Melvyn Fox, presidente da entidade que agrupa 50 das maiores empresas do setor que, juntas, respondem por 40% do faturamento total registrado em 2007. Existem mais de mil fabricantes de materiais de construção no país.
Além do crescimento inédito, 2007 também vai ficar marcado como o ano
em que as construtoras formais passaram a ter mais peso no resultado da
indústria. Nos últimos 20 anos, a chamada construção auto-gerida vinha
se tornando cada vez mais importante para os fabricantes. Em 2006, mais
de 70% do faturamento da indústria veio da venda no varejo, para
pessoas físicas que tocam as construções de forma independente.
Com a entrada maciça destas empresas na bolsa e o consequente ritmo frenético de lançamentos, essa relação começa a mudar. "Elas já estão impactando, principalmente pelo fato de terem migrado para a classe C", diz Fox. Em 2007, a estimativa é de que as construtoras tenham sido responsáveis por 40% do faturamento do setor. E espera-se que esse percentual aumente ao longo deste ano.
A Weber Quartzolit, que teve seu melhor faturamento da história em 2007, quando ampliou a receita em 35%, acredita que dobrará o volume de vendas para as construtoras em 2008. "Este ano vamos vender cerca de 5% de nossa produção de forma direta", diz Carlos Orlando, presidente da empresa.
Mas, independente do cliente, a Quartzolit está projetando um crescimento quase tão forte quanto o do ano passado. Pelas estimativas de Orlando, em 2008 seu faturamento deve crescer outros 25%. "Está tudo muito aquecido e estamos acelerando os investimentos para dar conta da demanda", diz o executivo. Entre setembro e novembro a companhia operou com 100% de sua capacidade instalada, 24 horas por dia, sem parar nem mesmo para manutenção preventiva dos equipamentos.
Em maior ou menor escala o mesmo está se repetindo em quase todas as empresas do setor. A Votorantim Cimentos, por exemplo, está investindo R$ 1,7 bilhão para ampliar a capacidade em 30% e, assim, dar conta da demanda. A companhia cresceu 10% em 2007 e quebrou seu recorde de produção e vendas ao atingir 18,5 milhões de toneladas. Só este ano a Votorantim vai inaugurar um nova unidade, reativar duas e ampliar a produção em outras duas. Além disso vai construir cinco novas moagens e cinco outras unidades de produção de argamassa. Até 2010, a capacidade de produção de cimento da companhia será de 25 milhões de toneladas.
"Estamos em um período muito interessante de crescimento e estamos prevendo um avanço similar para este ano também", diz Marcelo Chamma, diretor comercial da companhia. Nos últimos dois anos a Votorantim Cimentos também cresceu numa média de 10% ao ano, o que não ocorria há mais de uma década. A expansão, no entanto, poderia ser maior, afirma Chamma. "Se as obras de infra-estrutura deslancharem, cresceremos mais". Neste ano, cerca de 85% das vendas do produto foram direcionados para o setor imobiliário, principalmente o residencial.
É esse setor que continua puxando a indústria . Na opinião de Melvyn Fox, o setor imobiliário foi responsável por quase 100% do crescimento registrado em 2007. "O impacto da infra-estrutura no setor ainda é minimo", diz ele. "E isso se acentuou esse ano com o crescimento das incorporadoras".
Na divisão de tintas imobiliárias da Akzo Nobel os imóveis novos que estão sendo entregues pelas construtoras já impactam o faturamento. Como, na maior parte dos casos, os novos moradores decidem repintar o imóvel ao entrarem, o volume de vendas voltadas para esse segmento disparou. "Quase todo mundo repinta o imóvel antes de ir morar nele", diz Roberto Abreu, diretor geral da divisão. Esse "novo" mercado, aliado ao tradicional segmento de reformas, fez com que o faturamento da Akzo crescesse 11% este ano, um recorde para a companhia. Com 100% da produção sendo comercializada no varejo, a Akzo já pensa em abrir um canal direto de vendas para as construtoras. "Ainda estamos estudando o que fazer, é um mercado que está crescendo muito", diz Abreu, que espera um 2008 tão bom quanto foi 2007.
Este é praticamente um consenso entre as indústrias do setor. Com o
volume de lançamentos imobiliários aumentando e o crédito cada vez mais
farto, a maior parte das empresas está apostando num avanço igual ou
superior em 2008. A Abramat estima um crescimento de até 12%, sem as
obras do PAC, "Se elas saírem, podemos repetir o recorde de 2007", diz
Fox.
Fonte: Valor Online Newsletter - Ano 5 nº 1928, 18/01/2008








