Fabricantes do RS enfrentam atraso na entrega de chapas e corte de descontos
Segundo as empresas do setor moveleiro, os atrasos nas entregas começam a se tornar frequentes e os fornecedores já anunciam reajustes de preços para o início de 2010.
O ano começou devagar, sob impacto do estouro da crise econômica no fim de 2008, mas o aumento da produção e das vendas nos últimos três meses está complicando o suprimento de chapas de aglomerado MDF para as indústrias moveleiras do Rio Grande do Sul. Segundo as empresas do setor, os atrasos nas entregas começam a se tornar frequentes e os fornecedores já anunciam reajustes de preços para o início de 2010.
O diretor-superintendente da SCA, de Bento Gonçalves (RS), Sérgio Manfroi, revela que as indústrias de MDF estão cortando os descontos concedidos no primeiro semestre, quando a demanda estava fraca, e já sinalizam reajustes de 3% a 10% para o início do ano que vem. De acordo com ele, o aumento pode neutralizar os efeitos positivos da isenção do IPI anunciada pelo governo até 31 de março sobre os preços finais dos produtos.
Outro efeito do aquecimento do setor, conforme o executivo, é o atraso no recebimento da matéria-prima. A SCA trabalha com programações de dois meses, mas só recebeu no dia 15 deste mês os pedidos que deveriam ter chegado no fim de novembro. Na opinião dele, mesmo com o aumento da demanda, as indústrias de chapas ainda têm capacidade ociosa e precisam apenas reorganizar a produção.
Os problemas no recebimento do MDF não chegaram a comprometer a produção da SCA porque a empresa mantém estoques suficientes para 1,5 a 2 meses de operação. Mas agora eles estão diminuindo, afirma Manfroi. Segundo ele, a fabricante deve fechar 2009 com faturamento de R$ 120 milhões, igual ao do ano passado, mas para 2010 a previsão é de alta de 20% a 30%. Já as exportações devem avançar de 6% para 10% da receitas.
Também de Bento Gonçalves, a Única, dona das marcas Dell Ano, Favorita, Telasul e New, é outra que começa a enfrentar atrasos nas entregas de MDF, por enquanto de três a quatro dias. O problema começou a se agravar no início de dezembro e agora os fornecedores estão sinalizando aumentos de preços para a virada do ano, explica o diretor industrial Gustavo Borsato. Algumas vezes há dificuldade até para conseguir caminhões disponíveis para o frete.
A Única consome em média 6 mil metros cúbicos de MDF por mês e mesmo com a demora um pouco maior no recebimento da matéria-prima as entregas dos móveis aos clientes não foram afetadas devido aos estoques mantidos pela empresa. De acordo com o executivo, a fabricante bateu o recorde mensal de faturamento em novembro, com vendas de R$ 35 milhões, e deve encerrar o ano com crescimento de pelo menos 20% nas receitas sobre os R$ 310 milhões de 2008.
Fonte: Kaduna Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico - 21/12/2009








