Fiesp e Iedi dão a receita para crescimento de 7%
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) divulgaram ontem um estudo com propostas para o crescimento econômico de 2007 a 2010.
"No estudo, antecipado na edição de ontem do Estado,
na coluna Direto da Fonte, a meta de crescimento para o Produto Interno
Bruto (PIB) em 2007, é de 4%. Nos anos seguintes, até 2010, aumenta 0,5
ponto porcentual a cada ano. Para o período de 2011 a 2013, a proposta
também prevê que meta de crescimento 0,5 ponto porcentual acima do ano
anterior.
Para chegar a essas metas de crescimento econômico, o
estudo utilizou um modelo que prevê redução de gastos públicos,
inclusive juros, e restrição ao crescimento da carga tributária. Para
atingir esses dois pontos, o estudo propõe superávit fiscal nominal já
a partir de 2007. Os detalhes da proposta foram divulgados em
entrevista coletiva dos dirigentes das duas entidades.
A
proposta da Fiesp e do Iedi para o crescimento econômico será levada,
nos próximos dias, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo
com o estudo, o governo deve adotar metas de crescimento do PIB e do
investimento já a partir do ano que vem. O foco da proposta é o ajuste
fiscal, com superávit fiscal nominal em 2007, e a obtenção de uma taxa
de câmbio mais equilibrada, talvez na casa de R$ 2,50 a R$ 2,60,
segundo Paulo Francini, diretor da Fiesp.
De acordo com o
presidente da Fiesp, Paulo Skaf, há esperança, mas não certeza, de que
o governo federal atenda o pleito. Mas o fato, diz o empresário, é que
o presidente Lula tem falado muito em crescimento de 5%. 'Se o
presidente quer isso, alguma coisa terá de fazer.'
De acordo com
as duas entidades, se o novo enfoque da política econômica for adotado
conforme o estudo apresentado ontem à imprensa, a média do crescimento
do PIB no período de 2007 a 2016 será de 7%. Mas se o governo optar
pela continuidade da política atual, esse número cai para a média de
3,2% no mesmo período. As propostas foram apresentadas ao ministro da
Fazenda, Guido Mantega, que fez observações.
METAS
O
estudo propõe as seguintes metas para o governo: piso de aumento do PIB
em 4% em 2007, subindo 0,5 ponto porcentual a cada ano, até 2013, e
mantendo-se em 16,5% em 2013 e 2014, além de um aumento dos atuais 0,5%
do PIB para 1,1% na taxa de investimento público federal, já em 2007,
subindo gradualmente para 3,3% do PIB em 2010.
Para chegar a
esses valores, é necessário que o País faça superávit fiscal nominal a
partir dos seguintes elementos, no ano que vem: queda da Selic para
9,5%; revisão geral dos gastos correntes, que inclui o corte drástico
nos cargos de confiança e reajuste salarial zero nos próximos dois anos
para o funcionalismo; nova Previdência Social, a partir de várias
propostas em discussão; e uma nova gestão de ativos públicos. Essas
medidas permitirão ao governo economizar 4,6% do PIB.
De acordo
com o presidente do Iedi, Josué Christiano Gomes de Almeida, da
Coteminas, a indústria fala não de superávit primário, mas de superávit
nominal, porque considera que o pagamento dos juros também é despesa do
governo."
Fonte: IEA / Funcex - Valor Econômico - 24/11/2006








