Globalização de empresas é interrompida
A crise internacional, que levou a economia do planeta para o buraco, fez com que as empresas brasileiras botassem um pé no freio em seus projetos de internacionalização.
Dados do Banco Central mostram que
muitas companhias estão se desfazendo de negócios fora do país e
trazendo o dinheiro de volta. Esse movimento, segundo a
economista-chefe de Banco ING, Zeina Latif, está associado à falta de
perspectiva de recuperação do consumo mundial até 2010 e da necessidade
de reforçarem o capital no Brasil. Somente em maio, o retorno de
investimentos brasileiros diretos (IBD), como gostam de falar os
especialistas, atingiu US$ 1,456 bilhão. Em junho, até o dia 24,
voltaram outros US$ 748 milhões.
Para se ter uma idéia da
mudança de postura do empresariado, em 2008, os investimentos além das
fronteiras do país somaram US$ 20,4 bilhões. Já no acumulado dos
primeiros cinco meses deste ano, o saldo de investimentos foi de apenas
US$ 944 milhões. Ou seja, a continuar o fluxo de retorno verificado
desde maio, muito provavelmente, o total de dinheiro retornando ao país
superará o volume enviado. O dinheiro dos brasileiros estava indo,
principalmente, para as Ilhas Cayman (um paraíso fiscal), para os
Estados Unidos, Reino Unido e Portugal, esses três últimos, mergulhados
em uma profunda recessão.
Com a crise, ficou desvantajoso para
as empresas nacionais ampliarem seus negócios no mercado internacional.
Primeiro, porque o dólar, que chegou a quase R$ 1,50, barateando os
investimentos lá fora, ultrapassou os R$ 2. Segundo, porque o comércio
mundial desabou (cerca de US$ 4 trilhões) e muitos dos investimentos
visavam a construção de bases para a exportação , ressaltou Zeina. Para
completar, há sinais de que a economia brasileira vai se recuperar mais
rápido da crise do que a média mundial. Portanto, a hora é de
concentrar o fôlego nos negócios no país.
Capital
É
a perspectiva de retomada do crescimento econômico no país, que deve
ficar mais clara a partir do segundo semestre, que também está atraindo
recursos de estrangeiros para cá. Ou seja, além de o empresariado
brasileiro trazer de volta parte de seus recursos aplicados lá fora, o
capital externo está vindo junto. No mês passado, os investimentos
estrangeiros diretos (IED) totalizaram US$ 2,4 bilhões, o melhor
resultado para meses de maio desde 1947, início da série histórica do
Banco Central. Para junho, segundo o chefe do Departamento Econômico da
instituição, Altamir Lopes, o IED deverá ficar positivo em US$ 1,5
bilhão, sendo que US$ 1,2 bilhão havia sido contabilizado até ontem.
Mas
o interesse dos estrangeiros pela economia brasileira não está restrito
ao setor produtivo. Também o fluxo de investimentos em ações e em renda
fixa (títulos públicos, principalmente) voltou a crescer. Tanto que,
segundo Altamir, o BC foi obrigado a rever suas projeções. Até o mês
passado, acreditava que haveria saída de US$ 10 bilhões da Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa) e da renda fixa. Agora, aposta em um
saldo positivo de US$ 3 bilhões. Essa virada de US$ 13 bilhões é um
reflexo de tudo o que já ocorreu até agora , disse. Mas não dá para
dizer que voltamos à normalidade , destacou.
Na avaliação de
Altamir, o importante é que os fluxos de longo prazo estão voltando
para o Brasil, inclusive as linhas de crédito. Em junho, a taxa de
rolagem dos empréstimos chegou a 340%. Quer dizer: para cada US$ 100
que estavam vencendo em dívida no exterior, as empresas não só
renovaram esse valor como pegaram mais US$ 240. É verdade que esse
resultado está contaminado pela captação de US$ 1 bilhão feita pelo
BNDES. Se descontada essa operação, a taxa de rolagem ficaria em 99%,
superior à média de 55% até maio. Outro dado relevante: o BC elevou a
projeção de saldo comercial de US$ 17 bilhões para US$ 20 bilhões,
apostando em um recuo maior das importações, por causa da menor
atividade econômica. O resultado disso será um déficit menor nas
transações correntes do país com o exterior, de US$ 16 bilhões para US$
15 bilhões.
IED
Os Investimentos
Estrangeiros Diretos (IED) são fundamentais para a economia brasileira,
pois o país não tem poupança suficiente para construir ou ampliar
fábricas e para criar empregos. Nos últimos anos, o capital externo se
espalhou por todos os segmentos econômicos. Neste ano, por exemplo, dos
US$ 11,2 bilhões aplicados aqui, 11% foram destinados ao setor
agrícola, 54,5% para a indústria e 34,5% para serviços. O Banco Central
estima que há hoje no Brasil US$ 342 bilhões em investimentos
estrangeiros diretos.
Fonte: Sistema de informações IEA/Funcex/Correio Braziliense








