Idosos preferem mercado de trabalho a aposentadoria
As pessoas com mais de 60 anos estão adiando cada vez mais a aposentadoria e assumindo o controle total da vida financeira.
Foi o que constatou pesquisa realizada pelo Banco
HSBC e pelo Oxford Institute of Ageing em 21 países do mundo, entre
eles o Brasil. Intitulada O futuro da aposentadoria – a nova terceira
idade, a pesquisa mostra que, mais longevos, com a saúde em boas
condições e prontos para encarar novos desafios, os idosos se tornaram
importante fonte de sustento para as famílias. São grandes pagadores de
impostos e consumidores dos mais exigentes. Mesmo entre aqueles que
decidiram “pendurar as chuteiras”, a postura em relação à vida é mais
otimista, particularmente entre os brasileiros.
"A maioria dos 21 mil entrevistados diz que ter 70 anos hoje é o
mesmo que ter 50 duas décadas atrás”, relata Marcelo Teixeira,
diretor-geral da HSBC Vida e Previdência. No Brasil, o levantamento
ouviu 1.001 pessoas, todas vivendo nos grandes centros urbanos e com
renda mensal familiar acima de R$ 1,5 mil.
A maior disposição para a vida, segundo Richard Jones,
executivo-sênior de Previdência Complementar do HSBC, está levando os
trabalhadores a refutarem a aposentadoria precoce, muito difundinda nos
anos de 1970 e 1980, em resposta ao elevado índice de desemprego entre
os jovens. A pesquisa mostra que, no mundo, quase 50% das pessoas com
40 e 50 anos empregadas esperam continuar no mercado até quando for
possível. Este é o caso de José Antônio Martins Itapary, 72 anos. Ele
trabalha desde os 19 anos e não tem planos de deixar o emprego no
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), onde
já foi até presidente e está há 29 anos. “Enquanto Deus me ajudar vou
continuar trabalhando. É muito bom para manter um relacionamento e um
contato com pessoas jovens”, diz.
Dos entrevistados, somente 12% esperam a aposentadoria antecipada.
“Muitos homens e mulheres estão repensando se podem ou querem seguir os
passos de seus pais e deixar o mercado de trabalho tão cedo, num
momento em que ainda estão bastante produtivos”, ressaltou.
Ao detalhar a pesquisa, Jones afirmou que, em todas as economias
pesquisadas, 67% das pessoas com mais de 60 anos que continuam
trabalhando afirmaram que o fazem por vontade própria. Ele reconheceu,
porém, que essa realidade exigirá uma mudança significativa na postura
de governos e das empresas. “O setor público terá de flexibilizar as
leis trabalhistas, de forma que os mais velhos possam ter a opção de
escolher quantas horas vão trabalhar. As empresas também devem se
adequar à exigência dessa mão-de-obra qualificada, se quiserem trazer
de volta para o mercado pessoas que estão aposentadas mas resolveram
obter uma nova fonte de renda”, destacou.
Longe da miséria
Para comprovar a força dos idosos na atual estrutura da sociedade,
Richard Jones recorreu a um item importante da pesquisa: a assistência
financeira. Das pessoas com mais de 70 anos, 44% arcam com despesas dos
filho. Entre os que têm 60 e 69 anos, 16% cobrem as despesas dos netos.
Da população com mais de 70, 33% sustentam os netos. Quase metade das
pessoas com mais de 60 anos dá assistência financeira a outros membros
da família. “Além desse suporte, há os auxílios práticos, como casa,
comida e cuidados pessoais, concedidos a familiares, e os trabalhos
voluntários, que, se pagos, movimentariam bilhões de dólares”,
enfatizou.
Na avaliação da professora Sarah Harper, diretora do Oxford
Institute, a pesquisa — considerada a mais ampla quando de trata de
envelhecimento da população — mostra que a contribuição dos idosos para
a economia vai além dos contra-cheques que recebem, seja como
trabalhadores da ativa, seja como aposentados.
O estudo mostra ainda que, longe de ser uma época de penúria e
fraqueza, a vida para a maioria das pessoas com 60 ou 70 anos é
caracterizada pela independência, controle e boa saúde. “Estamos
falando de pessoas que são um ativo extraordinário para a sociedade e
não um peso”, assinalou Stephen Green, presidente mundial do Grupo
HSBC. Ele também chamou a atenção para os desafios que estão colocados:
“O envelhecimento da população mundial durante a próxima metade do
século trará mudanças profundas para as sociedades”.








