Importação despenca e balança melhora
Depois de amargar um déficit de US$ 524 milhões em janeiro, a balança comercial apresentou superávit de US$ 1,767 bilhão em fevereiro.
A
volta do saldo positivo, no entanto, não é motivo para comemoração.
Reflexo direto da crise na atividade econômica no Brasil e nos seus
principais mercados, o superávit veio acompanhado de uma queda de 30,9%
nas importações e de 20,9% nas exportações, em relação a fevereiro do
ano passado.
O resultado divulgado ontem pela Secretaria de
Comércio Exterior (Secex) mostra ainda que, no primeiro bimestre, o
superávit acumulado de US$ 1,243 bilhão ocultou queda de 25,6% no
intercâmbio comercial do Brasil com o resto do mundo.
No
bimestre, as exportações somaram US$ 19,370 bilhões - queda de 21,9%,
em relação a igual período de 2008. O resultado não foi pior porque as
vendas para a China aumentaram 23,3%, graças aos setores de aeronave,
de soja e de celulose. A Ásia, como um todo, foi a única região a
apresentar aumento nas compras de produtos brasileiros, de 8,3%, e a
expandir sua participação no total das exportações brasileiras, de
15,5% para 21,5%.
As importações do período alcançaram US$
18,127 bilhões, o que significou um recuo de 21,6%, na mesma
comparação. Apenas as compras dos Estados Unidos tiveram um leve
aumento, de 3,4%, em função do comércio entre matrizes e filiais no
Brasil. As importações da China caíram 12,4%. Mas gerou estranheza o
aumento de 80,6% no volume de compras de produtos têxteis. A Secex
investiga, nesse contexto, a expansão de até 6.000% em alguns itens de
confecções.
Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber
Barral, os dados apontam três tendências para os próximos meses.
Primeiro, a piora nas exportações para os EUA. Depois, a diversificação
dos embarques para a China, com aumento no total de vendas. Terceiro, a
rápida queda no comércio com a Argentina.
Em fevereiro, as
importações alcançaram apenas US$ 7,821 bilhões - recuando para o
desempenho médio mensal de 2006. O tombo de 30,9% deixou estampado o
peso da retração na atividade econômica do País. As exportações em
fevereiro somaram US$ 9,588 bilhões - ante US$ 9,782 bilhões em
janeiro.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/O Estado de São Paulo








