Índia quer compensar perda em país rico com vendas para América Latina
A Índia pretende reativar suas relações comerciais com a América Latina e a África para compensar a queda de suas exportações para países ricos, atingidos pela recessão, indicou ontem o ministro do Comércio, Anand Sharma, durante o anúncio do plano governista de política comercial para os próximos cinco anos, até 2014.
"Nossas exportações sofreram uma queda nos últimos dez meses devido a uma contração da demanda nos mercados tradicionais de exportação [dos países ricos]", acrescentou Sharma.
O país tem como meta o crescimento de 15% em dois anos, para conseguir exportações de US$ 200 bilhões em março de 2011, dos US$ 168 bilhões de março de 2009, destacou. As maiores exportações indianas incluem o têxtil e o artesanato. Os planos governistas para reativar o comércio externo mereceram os elogios da indústria.
"As iniciativas anunciadas pelo ministro reverterão a tendência à queda das exportações", disse Harsh Pati Singhania, presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria Indianas (FICCI).
O governo havia previsto chegar a US$ 200 bilhões em exportações este ano, até março de 2010, mas indicou mais tarde que provavelmente não deve atingir a meta. Sharma não revelou novos dados deste ano e se limitou a indicar que esperava um ritmo "sustentado" das exportações graças a créditos mais baixos, melhoras nas infraestruturas relacionadas à exportação e a queda dos custos de transação. Sharma ainda destacou que a Índia estava blindando sua política de exportação contra as consequências da crise econômica mundial.
"Daqui a 2014, esperamos dobrar as exportações indianas de bens e serviços. A política a longo prazo do governo é dobrar a cota de mercado da Índia no comércio mundial antes de 2020", indicou. A cota de mercado atual da Índia é de 1,64%.
O ministro de Comércio indiano também afirmou que os dois novos tratados de livre comércio que a Índia assinou recentemente (com Coreia do Sul e com os 10 países do sudeste asiático da Asean) abrirão novos mercados "vibrantes".
Sharma, que será anfitrião na semana que vem em uma reunião global de ministros de comércio, acrescentou que a Índia continua comprometida com o sucesso da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio) para liberalizar as trocas comerciais. Mas reiterou a insistência de seu país em que qualquer tratado deve responder às aspirações das pessoas do mundo em desenvolvimento.
Fonte: Diário Comércio, Indústria e Serviços








