Indústria moveleira amplia mercado
Empregando mais de sete mil pessoas diretamente, o setor moveleiro do Distrito Federal tem conquistado um espaço importante na economia local.
Com 376 empresas, das quais 75 fazem parte do Arranjo Produtivo Local de Madeira e Móveis, o setor representa 7% de tudo o que é comercializado na capital.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário do DF, José Maria de Jesus, 90% de toda a produção local é vendida ao público brasiliense.
– Poucas empresas exportam ou vendem para outros Estados do Brasil, porque existe uma demanda grande aqui no DF – explicou.
Até domingo, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o sindicato promoverá o 3º Salão do Móvel de Brasília, para mostrar as novidades e tendências do segmento. O evento conta com a parceria do Sebrae e da Federação das Indústrias do DF.
Exportações
Segundo José Maria, os Estados Unidos são os grandes importadores de móveis das empresas brasilienses e não mais os países árabes, como acontecia antigamente.
– Os chineses e filipinos acabaram conquistando todo esse mercado árabe, pois os produtos deles são vendidos pela metade do preço e a concorrência ficou desleal – informou José Maria.
Espaço para o crescimento
Sofás de couro, móveis com resinas e com certificação de reflorestamento são os mais procurados. Pelo menos um contêiner é enviado para os EUA mensalmente, o que representa cerca de US$ 15 mil.
– Muitos empresários não têm vontade de exportar, pois são de micro e pequeno porte e existe o problema da variação cambial. O negócio, em determinados períodos, não é rentável, muito menos seguro – complementou.
José Maria comentou que o governo deveria investir mais no setor para fomentar novos negócios. Uma saída seria o fim da cobrança diferenciada de ICMS – imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias – para indústrias de fora do DF.
– O GDF dá incentivos para os empresários daqui, como o Pró-DF, que torna mais fácil a aquisição de terrenos e até financiamento para construção. Mas ainda acho que o governo poderia criar outros mecanismos para fomentar o segmento – analisou.
Segundo ele, grande parte da produção fica no DF mesmo devido à renovação feita nos apartamentos.
– Brasília recebe muitas pessoas a trabalho, que ficam curtos períodos na cidade. A cada mudança, as pessoas buscam decorar o apartamento e acabam comprando novos produtos – esclareceu.
Crise mundial
O presidente da Fibra, Antônio Rocha, acredita que o crescimento da economia do DF acaba influenciando o fomento de indústrias, como a moveleira. Os recordes com exportação mostram isso. A crise financeira, segundo ele, ainda não afetou significativamente nenhum setor, mas os empresários já estão mais cautelosos.
– O DF bateu recordes neste ano e exportou US$ 130 milhões. Lógico que a crise é preocupante e pode afetar setores da economia. Além disso os consumidores também estão retraídos – completou.
Ele destacou ainda a influência que a construção civil exerce no setor moveleiro.
– A construção civil estava acelerada, tanto que chegou a faltar material, mas agora já retraiu, o que deve refletir diretamente nas indústrias de móveis – acrescentou. Antônio Rocha argumentou que esta retração não é preocupante, mas que pode prejudicar o crescimento do moveleiro.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Jornal do Brasil








