Indústrias retornam para a Alemanha após prejuízos no exterior
Falta de qualidade, pirataria e baixa produtividade são alguns dos motivos que fazem empresários alemães transferirem de volta para a Alemanha os postos de trabalho levados para o exterior.
Muitas empresas alemãs que transferiram suas linhas de produção para o
exterior estão revendo sua estratégia e trazendo suas plantas de volta
para a Alemanha. De acordo com números do Instituto Fraunhofer para
Sistemas e Pesquisas de Inovação (ISI), 20% a 25% das empresas que
levam sua produção para o exterior acabam retornando em cerca de dois
anos.
"O
retorno certamente não é a principal tendência, mas é um fenômeno
relevante e quantificável", avalia o especialista do ISI Steffen
Kinkel. Segundo dados do instituto, em torno de 1,2 mil empresas
retornaram nos últimos dois anos apenas nos setores metalúrgico e
eletrônico.
Para Kinkel, muitas empresas, principalmente as de
pequeno porte, são mal assessoradas. "Se for considerado apenas o
volume, para muitas pequenas empresas não faz sentido dividir a
produção", afirma. Segundo ele, muitos empresários avaliam apenas
fatores como custos de mão-de-obra e a disponibilidade de
matérias-primas e deixam de lado aspectos como qualidade e
flexibilidade.
A mesma avaliação é feita pelo diretor do
Instituto da Economia Alemã (IW), Michael Hüther. "A médio e longo
prazo, não apenas os custos de produção são importantes. O custo de
coordenação é enorme no exterior. Para que ele possa ser
desconsiderado, é necessária uma margem de lucro muito grande."
Outro
aspecto é lembrado pelo ex-presidente alemão Roman Herzog, cujo
instituto assessora empresas bávaras. "Há exemplos de empresas que
partiram confiantes para o Leste Europeu e voltaram após constatar que
a produtividade é menor por lá."
Cópia sem retoque de produtos
A empresa Wolf, da Baviera, foi uma das primeiras a seguir a tendência
de levar sua produção para o exterior, mas há cerca de quatro anos
trouxe sua produção de painéis solares de volta para Mainburg. "O
slogan made in Germany é um pilar da nossa filosofia empresarial", afirmou o presidente da empresa, Alfred Gaffal.
Segundo
ele, a empresa sofreu com a falta de qualidade dos produtos da sua
planta na República Tcheca. Os baixos custos de mão-de-obra não foram
compensados pelos altos custos de logística e de infra-estrutura.
A
pirataria é outro problema enfrentado por quem leva sua produção para
fora. A Sennheiser, que produz aparelhos de áudio nas proximidades de
Hannover, viu seus produtos serem copiados sem retoques pelo seu
parceiro chinês.
"Tivemos problemas de qualidade, mas o pior foi
ver os nossos produtos serem fielmente copiados e vendidos com marca
própria pelo nosso parceiro chinês", disse o porta-voz da empresa,
Volker Bartels.
Hoje, os principais produtos da Sennheiser são
feitos na Alemanha, na Irlanda e nos Estados Unidos. Na China, são
produzidos apenas fones de ouvido do tipo mais simples. Segundo
Bartels, não é possível competir com os chineses na fabricação desse
tipo de produto.
Alemanha volta a ser atraente
Outro
motivo para o retorno de muitas indústrias é a maior atratividade da
Alemanha – e foi justamente a concorrência oferecida por outros países
que forçou os alemães a se tornarem mais competitivos. Hüther avalia
que, pelo fato de os salários não terem aumentado, o país se tornou
mais atraente para os empresários. "Houve mudanças em relação aos
custos de mão-de-obra."
Para a VDMA, associação que reúne
empresas responsáveis pela montagem de linhas de produção, o retorno de
muitas indústrias à Alemanha se deve a fatores como alta qualidade e
uma rede bem estruturada de fornecedores. "Há uma nova auto-estima nas
fábricas: não podemos produzir barato, mas podemos produzir de forma
competitiva", afirma o economista-chefe da VDMA, Ralph Wiechers.
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2813487,00.html








