Inovação: o segredo do sucesso
Apenas 1,7% das empresas nacionais investe em pesquisa e desenvolvimento. Essas empresas são exportadoras e empregam trabalhadores mais bem preparados. Para que mais empresas sigam essa mesma trilha, é preciso investimento. Esse cenário foi o tema do seminário 'Inserindo o Brasil no Mundo', realizado ontem em São Paulo.
"São Paulo - Inovar. Eis a palavra chave que todo empresário brasileiro deveria ter em mente. As empresas que apostam em inovação, seja de produto ou de processo, têm 16% a mais de chances de exportar que as que não investem em pesquisa e desenvolvimento. Esta é apenas uma das conclusões do estudo "Crescimento e Inserção Externa", apresentando ontem (28) no seminário Inserindo o Brasil – série de quatro debates sobre como o país pode alavancar sua participação no mercado global. A série é uma iniciativa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) e o estudo foi elaborado pelos economistas João Alberto De Negri e Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Segundo Negri, o Ipea acompanhou 16 mil empresas durante dez anos (de 1996 a 2006) para elaborar a análise sobre inovação. Os pesquisadores dividiram as empresas brasileiras em três grandes grupos: as que inovam e diferenciam produtos, as especializadas em produtos padronizados e as empresas com baixa produtividade. As do primeiro grupo gastam 3,6% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento e são exportadoras. O segundo grupo tem como foco o preço e gasta apenas 0,99% com pesquisas, é exportador e tem potencial para exportar. Por fim, as de baixa produtividade não exportam e gastam 0,39% em inovação.
O grande problema, conforme mostra o estudo, é que 77% das empresas brasileiras se encaixam nesse terceiro grupo, que não investe e não exporta. Apenas 1,7% das empresas nacionais se encaixam no primeiro grupo. O perigo desse cenário, conforme explicou o pesquisador, é que o país continue tendo em sua pauta de exportação apenas os commodities. "Não podemos esquecer que a China não é só uma ameaça no que diz respeito à exportação de produtos ligados aos recursos naturais ou fruto da mão-de-obra barata e abundante. Eles também são perigosos porque investem em tecnologia", sintetizou o pesquisador.
Emprego e estudo
A tecnologia não é uma ameaça ao emprego. O estudo realizado pelo Ipea a pedido da Fecomércio mostra que quem investiu em tecnologia gerou mais trabalho no período analisado. E trabalho mais valorizado. As empresas inovadoras pagam salários 23% superiores à média da indústria. Entre 2000 e 2004, o emprego nessas empresas cresceu 29% contra 19% do crescimento industrial. "Enquanto a remuneração média das empresas de baixa produtividade é de R$ 431 mensais, as inovadoras pagam R$ 1.255", explicou Negri.
O pesquisador lembrou a importância das universidades e da relação entre empresa e meio acadêmico para fazer a pesquisa crescer no Brasil. "O nosso ambiente de pesquisas, universidades, centros tecnológicos, é completamente subutilizado", destacou ele.
Debate
Após a apresentação da pesquisa, a Fecomércio debateu o tema com os economistas Luciano Coutinho, da Unicamp, Octávio de Barros, do Bradesco, e com o deputado federal e ex-ministro, Antônio Delfim Netto. Todos os presentes defenderam o crescimento de investimentos por parte do governo na área de pesquisa e desenvolvimento. Conforme o estudo do Ipea, 90% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento são bancados pelas próprias empresas.
O debate
O seminário "Inserindo o Brasil no Mundo" é uma iniciativa da
Fecomércio para que surjam novas propostas para colocar o Brasil com
fôlego dentro do mercado global. A iniciativa é um desdobramento do
"Simplificando o Brasil", série de debates que apresentou propostas
para reduzir a burocracia e outros entraves que ameaçam o crescimento
econômico. A idéia é fazer com que os temas – e as propostas elaboradas
– entrem na pauta dos candidatos a presidência."
Por Débora Rubin
Fonte: http://www.anba.com.br/noticia.php?id=12169 - 29/8/2006








