Integração do setor de madeira e móveis volta à pauta no Mercosul
Governos e empresários dos países do Mercosul iniciaram na semana passada a integração das indústrias do setor de madeira e móveis.
Proposta pelo Brasil, a integração das cadeias produtivas visa a incentivar
parcerias entre as indústrias do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, reduzir
custos e realizar um esforço conjunto por mais espaço no mercado internacional.
É o primeiro processo de integração de cadeias produtivas no Mercosul. A
integração é antigo desejo dos países do Mercosul, mas nunca saiu do papel. O
assunto voltou a tomar fôlego em 2006, quando o Brasil exerceu a presidência
temporária do bloco.
Em reunião realizada no fim da semana passada no
Paraguai, representantes dos quatro países do Mercosul decidiram que em julho
empresas e governos apresentarão projetos para tirar a integração do papel. O
financiamento será feito por empresas, governos e pelo Fundo para a Convergência
Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem), criado em 2006 e
que terá US$ 75 milhões neste ano e US$ 100 milhões por ano a partir de 2009.
A Venezuela passará a fazer parte da iniciativa quando adotar a Tarifa
Externa Comum (TEC) e, assim, aderir de fato ao bloco. "O Mercosul está
começando a ter uma visão de integração produtiva. O presidente Lula cobra isso
de nós", disse o secretário interino de Desenvolvimento da Produção do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Nilton Sacenco.
O principal alvo do Mercosul é o mercado norte-americano, que compra 30,6%
dos produtos exportados pelo Brasil e é o maior consumidor de móveis do mundo.
Segundo Sacenco, o bloco sul-americano responde hoje por menos de 2% do mercado
mundial de móveis, que movimenta cerca de US$ 70 bilhões por ano. O Brasil
exportou em 2006 US$ 1 bilhão em móveis, enquanto a Argentina registrou vendas
internacionais de US$ 170 milhões. Com um faturamento de US$ 9 bilhões no ano
passado, a China é o país que mais exporta móveis no mundo. A Itália ocupa a
segunda colocação, com US$ 8 bilhões.
Apoio
Inicialmente, o governo
brasileiro pretende apoiar os pólos produtivos de Bento Gonçalves (RS) e Ubá
(MG). Serão beneficiadas pelo Uruguai cinco empresas, pelo Paraguai 15 e pela
Argentina dois pólos industriais. A integração produtiva terá seis frentes de
atuação. Serão criados observatórios comerciais ligados à universidades para a
construção de uma inteligência comercial. Os países farão em conjunto ações
internacionais de marketing, com rodadas de negócios e propaganda de produtos.
Os governos buscarão afinar as legislações e normas que regem o setor. Será
definida uma estratégia de gestão da cadeia de fornecedores a fim de garantir a
qualidade. E uma rede de cooperação voltada à formação de mão-de-obra será
constituída.
Diagnóstico
O diretor executivo da Associação das
Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Renato Hansen,
representante das empresas nos encontros do Mercosul, informou que, na prática,
o Brasil começará a repassar todo o seu conhecimento em exportações aos demais
integrantes do bloco. "O que nós aprendemos nestes últimos dez anos será
dividido com os países vizinhos", disse Hansen, acrescentando que uma das
primeiras ações será as indústrias da Argentina, do Uruguai e Paraguai
voltarem-se para dentro, trabalharem questões cruciais como capacitação das
fábricas. Hoje o Brasil, sozinho, é o 12º maior exportador de móveis do mundo. O
restante do Mercosul não aparece na lista.
Segundo Hansen, que participou de
diversas reuniões, o acordo prevê que os parceiros recebam consultores para
fazer diagnóstico detalhado da situação. "Deverá ser proposto um roteiro
parecido com o que o Brasil fez, incluindo treinamentos, desenvolvimento de
produtos, e, por fim, a prospecção de mercados", informou. "Quando o Brasil
focou o mercado externo, a partir de 1998, o Rio Grande do Sul tinha 30 empresas
exportadoras. Hoje tem mais de 300. O Brasil vendia lá fora US$ 400 milhões e
hoje conseguimos alcançar a barreira do US$ bilhão. É um longo aprendizado", faz
questão de ressaltar o diretor executivo.
Desde 2003 foram realizados
seminários no Brasil direcionados a discussão da integração da cadeia
madeira/móveis no âmbito do Mercosul, e, em todos os eventos ficou nítido a
defasagem tanto em tecnologia aplicada à produção quanto em design. "Este acordo
trará mais vantagens para eles do que para nós", disse outro representante
brasileiro, que pediu para não ter seu nome revelado. "Na verdade, eles queriam,
inicialmente, fazer as exportações pelo Brasil porque estamos muito mais
avançados", destaca a fonte.
"Este acordo pretende mostrar os caminhos e
atalhos para que possam chegar de forma mais produtiva ao mercado externo",
argumentou Hansen. De acordo com ele, a escolha pelo pólo moveleiro de Bento
Gonçalves deve-se a proximidade com o bloco e ao case de sucesso. No caso do
pólo de Ubá (MG), é pelo destaque que obteve nos últimos cinco anos, firmando-se
como pólo exportador sem ter praticamente nenhuma base anterior, exceção da
Itatiaia, maior empresa do setor de Ubá. Hansen destaca o apoio da Agência de
Promoção de Exportações (Apex Brasil) e da Abimóvel na consolidação das
exportações.
kicker: Empresas e governo dos diversos países devem apresentar
em julho próximo seus projetos para a integração
Fonte: (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Fernando Exman e Guilherme Arruda).
http://www.investnews.com.br/integraNoticia.aspx?Param=13%2C0%2C1%2C575902%2CUIOU








