Investidor estrangeiro troca China por América Latina
Com o governo chinês dificultando o investimento em ações na Bolsa de Xangai, os investidores estrangeiros estão deixando aquele país para investir em empresas da América Latina, sobretudo do Brasil.
É o que mostram os dados do último relatório divulgado pela consultoria americana especializada em fundos de investimento globais Emerging Portfolio, que acompanha mais de US$ 10 trilhões em total de ativos em todo o mundo.
No fim de maio, o governo chinês elevou a tributação dos investimentos em ações de 0,1% para 0,3%. Com isso, os investidores continuaram a reduzir suas exposições diretas em ativos chineses. Os saques em fundos de ações de empresas chinesas superaram a marca de US$ 1 bilhão somente na primeira semana de junho. Na semana anterior, também houve resgates, de acordo com a Emerging Portfolio.
Em contrapartida, os aplicadores colocaram US$ 810 milhões na primeira semana de junho em fundos de ações dedicados à América Latina, numa aposta indireta no crescimento robusto da China e de sua demanda por matérias-primas. O volume de dinheiro que ingressou nos fundos de ações da região foi o mais forte em uma semana desde que a Emerging Portfolio começou a acompanhar esse grupo de carteiras em 2000.
A crença na forte demanda chinesa por matérias-primas, beneficiando os países da região, trouxe para México e Brasil, desde o início de abril deste ano, cerca de US$ 3,32 bilhões em carteiras dedicadas a esses países. Segundo relatório da consultoria, ao analisar o nível de ingresso de recursos em um único país, o Brasil tem sido a estrela nas últimas semanas, mas os fundos de ações dedicados ao mercado mexicano receberam US$ 149 milhões na semana encerrada em 6 de junho, se distanciando dos fundos voltados ao Brasil em termos percentuais de ativos sob gestão.
Enquanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China continua
ajudando as ações da América Latina, essa expansão econômica tem feito
pouco para o próprio mercado acionário chinês nas últimas semanas, com
os investidores retirando sistematicamente recursos. Levando-se em
conta os resgates de fundos dedicados à China ou voltados para a região
chinesa acompanhados pela consultoria, cerca de US$ 3,95 bilhões
deixaram a região nas últimas cinco semanas. No ano, os saques já
chegam a US$ 4,25 bilhões.
Fonte: Valor OnLine - Newsletter - Ano 5 nº 1777








