Investimentos aumentam capacidade de produção da indústria
A indústria brasileira tem investido na ampliação da capacidade produtiva e atenderá à demanda dos brasileiros sem pressionar a inflação.
A
avaliação foi feita hoje pelos economistas da Confederação Nacional da
Indústria (CNI) durante a divulgação dos Indicadores Industriais de
janeiro. "O nível de utilização da capacidade instalada está estável
nos últimos cinco meses, período em que houve um crescimento de 5% no
faturamento real da indústria. Isso significa que está havendo
maturação dos investimentos feitos nas linhas de produção", disse o
economista Paulo Mol.
A utilização da capacidade instalada ficou em 83,1%
em janeiro, mesmo nível verificado em dezembro do ano passado e também
em janeiro de 2007. Ou seja, houve estabilidade do indicador ao longo
de 2007, a despeito do crescimento de 5,1% do faturamento real da
indústria e de 8% no consumo interno. Paulo Mol disse que, se o ritmo
de crescimento neste ano for igual ao de 2007, provavelmente os
investimentos manterão a capacidade produtiva estável. "E, se o
crescimento do consumo não for tão alto, poderemos ter queda no
indicador", avaliou.
Como a inflação não será pressionada pela demanda,
o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio
Castelo Branco, disse acreditar que há espaço para um corte na taxa
básica de juros, a Selic, hoje em 11,25% ao ano. "O maior temor do
Banco Central é com a inflação. Se os preços não aumentarem, os juros
podem ser reduzidos. Além disso, é uma das medidas que podem fazer com
que o câmbio para de se valorizar", afirmou.
Com juros altos e uma economia estável, é atrativo para o investidor estrangeiro colocar no Brasil recursos de curto e médio prazos para faturar com os juros pagos pelo governo nos títulos públicos. Dessa forma, há uma entrada principalmente de dólares no país, forçando a cotação da moeda norte-americana para baixo, explicou Castelo Branco. Com isso, o produto brasileiro fica mais caro no exterior e a indústria perde competitividade em relação aos seus concorrentes internacionais, deixando de exportar.








