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Itália quer acelerar acordo bilateral entre Brasil e UE

Diante da indefinição dos parceiros dos brasileiros, e do horizonte de sucesso cada vez mais distante da Rodada Doha, o subsecretário italiano de Comércio Exterior, Adolfo Urso, afirmou ontem que vai pressionar a UE para entrar em entendimento bilateral diretamente com o Brasil, pulando a etapa de negociação entre os dois blocos, assim como os países europeus fizeram com o Chile, no ano passado, e buscam fazer com Coreia do Sul e Índia.

Segundo Urso, a proposta de acordo de livre comércio entre UE e Brasil será apresentada ao Conselho Europeu de Comércio pelo governo italiano no próximo dia 30 e tem boas chances de avançar. "A Itália sempre sustentou posição de relançamento de um acordo comercial de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, que é vantajoso para a Europa e a área do Mercosul. Mas hoje isso está parado e é difícil relançar, por isso conversamos com o ministro Guido Mantega [Fazenda] e com o ministro-interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho [o titular Miguel Jorge está em missão empresarial na África], sobre a hipótese de o Brasil entrar em uma negociação mais concreta, mais factível, mais fácil de fechar: um acordo bilateral entre UE e Brasil", disse Urso, que participou do Fórum Empresarial Brasil-Itália, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Presente ao evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à iniciativa ao elogiar a cooperação e o esforço de governos e empresas dos dois países para até triplicar nos próximos anos o atual fluxo comercial, de US$ 10 bilhões - apenas 1% do total de importações e exportações de Brasil e Itália. O presidente disse também que está otimista com a mudança de presidência da UE, que será assumida pela Espanha em 2010. "É um país extremamente favorável para resolver as questões bilaterais."

O representante do governo italiano minimizou polêmica com Argentina e outros países do Mercosul por causa da costura de um acordo diretamente com o Brasil e não adiantou temas como redução de tarifas e queda de barreiras a produtos brasileiros na Europa. "Os acordos entre países podem ser feitos sem afetar as negociações multilaterais. Na reunião do G-8 na Itália, em 2008, o Brasil demonstrou comprometimento para alcançar um acordo bilateral em 2010."

Já Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, acha que furar fila pode trazer complicações para "o já complicado" processo de negociação do Mercosul. "Vai causar alguma polêmica, que o Brasil terá que enfrentar. E ninguém ainda mediu o efeito da entrada da Venezuela nas negociações multilaterais. Será um estranho num ninho já tumultuado", avalia Giannetti, acrescentando que o governo Chávez precisa superar várias dificuldades.

"A Venezuela nunca negociou tarifa externa comum (TEC) dentro do bloco, imagina fora. É um país desalinhado do mundo em relação a cambio e tarifas aduaneiras", diz Giannetti. Segundo ele, "o Brasil precisa se liberar das amarras do Mercosul, uma vez que as negociações em bloco estão cada vez mais difíceis de serem fechadas."

Sem revelar detalhes, Urso também sugeriu a adoção de negociação bilateral setorial entre UE e Brasil, caso o acordo comercial tenha dificuldade de ser implementado. "A Fiat, que também é uma empresa brasileira, sugeriu trabalhar imediatamente por um acordo setorial para a indústria automotiva e toda sua cadeia da atividade", revelou. Na opinião de Giannetti, para um entendimento deste tipo ter relevância é preciso envolver várias áreas. "O Brasil não vai querer abrir seu mercado automotivo se não conseguir espaço para elevar as exportações de carne, frango e açúcar, produtos que enfrentam barreiras na Europa."

Diante de mais de 400 empresários brasileiros e italianos, a presidente da confederação italiana das indústrias, Emma Marcegaglia, disse que vai abrir uma sede da entidade em São Paulo para ajudar empresas a aproveitar oportunidades de negócio no país, principalmente nos campos de petróleo, energia, infraestrutura e projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada Rio 2016. O ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola, declarou que o Fincantieri, maior estaleiro do país, está interessado em participar da renovação da frota de navios militares brasileiros. Ele acrescentou que espera que a carga de impostos sobre importações e exportações dos dois países seja minimizada.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participou do evento, afirmou, em discurso , que a revalorização do real em relação ao euro, calculada por ele em 23%, é vantajosa para os italianos. "O real se valorizou mais que o euro, o que elimina prejuízos com tarifas de importação, que não são elevadas", afirmou. Segundo Mantega, as tarifas de importação brasileiras acabam sendo neutralizadas pela valorização do real. O ministro disse que prevê crescimento entre 6% e 8% para a economia brasileira no terceiro trimestre deste ano.

 

Fonte: Global 21 (11/11/2009)

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