Lojas Cem terá 15 novas lojas em 2007
A Lojas Cem programa abrir até 15 novas lojas neste ano nas regiões Sul e Sudeste, o que significará um aumento de quase 10% na rede.
Com 159 pontos-de-venda, abrirá oito, no mínimo. A rede tem por regra
expandir-se dentro de um raio de 600 km de sua sede, localizada em Salto, no
interior de São Paulo. “Logisticamente, não é interessante abrir lojas que
distem mais do que isso do nosso depósito, pois temos um compromisso de entregar
nossos produtos em até 42 horas”, explica Valdemir Colleone, supervisor geral da
rede. “E, no momento, não pretendemos abrir outro centro de distribuição”,
ressalta.
Na visão dele, a tendência no mercado de eletros e móveis é de que
haja uma diminuição no número de competidores. “O mercado não suporta todas as
empresas que estão aí, assim como o mundo não suporta todos os seus habitantes”,
compara Colleone. “Nos próximos dois anos, uma grande empresa do ramo irá
desaparecer. Olhando os balanços, você percebe quem tem folêgo e quem não”,
arrisca. Ele fala que “existem empresas demais, para clientes de menos” e que
essa situação apenas se reverterá se a economia passar a crescer 7%. “O que é
muito difícil”, destaca.
Colleone relembra que as últimas falências de
grandes varejistas de eletros e móveis ocorreram no final da década de 1990.
“Vimos desaparecerem importantes nomes como Arapuã, Casa Centro, Mesbla e Mappin
e, no lugar, aparecerem novos. O surgimento de novas continuará a acontecer”.
No mesmo cargo há 22 anos, o executivo entende que sempre haverá espaço para as pequenas empresas. “Elas são sempre comandadas pelo dono, o que faz o negócio funcionar. Além disso, elas têm algo que as grandes não, custo enxuto. Muitas ainda se valem da sonegação. Quando começam a crescer, entretanto, quebram”. Ele destaca que a pior situação é a das médias empresas. “Elas não têm o poder de barganha das grandes, mas têm o encargo das mesmas. Assim, fica difícil sobreviver”, explica. “Virou uma briga de gigantes. O médio só leva tapa”.
Padronização
Como todas as unidades da Lojas Cem são padronizadas tanto no tamanho, quanto no layout e mix de produtos, a empresa encontra dificuldade em abrir novos estabelecimentos. “Não é fácil conseguir pontos comerciais com 1.400 m², a preço de mercado e com a documentação em ordem”. Por filosofia, as Cem têm apenas uma loja em cada cidade, com exceção de São Paulo, onde tem sete, Curitiba e São José dos Campos, onde possui duas. “Acreditamos que com uma boa loja, e bons atendimento e mix de produtos, o consumidor vai até você”, complementa..
Por essa razão, a Lojas Cem não pretendem investir no
e-commerce. A empresa mantém um site onde vende pela web, mas apenas nas cidades
onde tem loja. Isso lhe impede de ser uma rede nacional. A empresa está nos
estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
A Lojas Cem são
uma empresa familiar, que não ambicionam abrir capital. Na visão de um dos
donos, ter sócio ou acionista é o mesmo que ter patrão. “Se o negócio vai bem,
como é o nosso caso, não há razão para abrirmos capital”, ressalta
Colleone.
A empresa aposta em um crescimento de 10% na receita deste ano. Em
2006, ela faturou R$ 1, 1 bilhão, o que corresponde a um crescimento de 8% sobre
o ano anterior. “Nossas expectativas são boas, a economia deve crescer mais do
que o normal”. Embora seja a sexta rede do ramo em faturamento, as Cem são a
primeira em rentabilidade e liquidez, segundo Colleone.
Estilo
A rede
consegue seus bons resultados à base de uma gestão austera. “Nunca pegamos
dinheiro emprestado. A empresa entende que tem de crescer com as próprias
pernas”, destaca o supervisor geral. Segundo ele, hoje existe muito dinheiro
disponível para o varejo, mas pegar empréstimo significa pagar mais depois. O
executivo revela que a rede tem sido bastante assediada com propostas de compra,
mas que não há interesse em passá-la adiante.
Na hora de fazer crediário, a Lojas Cem também demonstram cautela. A empresa dispensa parceria e prefere o financiamento próprio. “Tem gente nos namorando, querendo essa parceria. Mas não sentimos necessidade”, revela. O executivo explica que ter um parceiro significa ter o compromisso de fazer negócios apenas com ele. “Isso impossibilita encontrar parcerias momentâneas mais vantajosas. Não é uma medida inteligente“, opina.
Fonte: http://www.dci.com.br/








