Madeira sobe 8,5% e anula efeito da isenção de IPI sobre móveis
Os aumentos de preço podem frear impulso dado com a desoneração.
Menos de 45 dias depois de o governo zerar o IPI (Imposto sobre
Produtos Industrializados) para a indústria moveleira, a medida está
ameaçada.
A renúncia fiscal estimada em R$ 217 milhões pode se tornar inútil: os
fabricantes de painéis para móveis (matéria-prima do setor) driblaram o
governo e aproveitaram a redução de imposto para aumentar preços.
Segundo a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do
Mobiliário), entidade representativa das indústrias que compram as
chapas de madeira, os preços aumentaram, em média, 8,5% desde o
primeiro dia do ano.
A alíquota antes era de 10% para as chapas de madeira. Para os móveis, de 5%.
"Não há momento pior para esse aumento. Não faz sentido aumentar preço
justamente quando o IPI é reduzido. Houve um acordo informal com o
governo, que foi quebrado", afirmou o presidente da Abimóvel, José Luiz
Fernandez.
Numa conta simples, de cada R$ 1 reduzido pelo IPI nos preços dos
painéis, o aumento de 8,5% nos custos da matéria-prima anula até R$
0,85 do benefício oferecido à indústria moveleira. Os painéis
representam em média 60% do valor dos móveis populares no varejo.
Os fabricantes de móveis acreditam que esse acréscimo no custo da
matéria-prima possa frear o impulso dado ao setor pelo IPI zero.
"Qualquer aumento pode atrapalhar a nossa recuperação", diz Fernandez.
Em 2009, o setor foi abalado pela crise internacional que provocou uma
queda nas exportações. No mercado interno, a redução do IPI na linha
branca acelerou a venda de geladeiras e fogões, colocando os móveis em
segundo plano para o consumidor.
Enquanto a linha branca teve momentos de aquecimento nas vendas de até
25%, o comércio de móveis caiu até 10% mensais entre maio e outubro
-auge da crise no setor. Assim como aconteceu com os móveis, o governo
federal pediu que os descontos da linha branca fossem repassados ao
consumidor -e o acordo foi cumprido.
Como forma de compensar as perdas do setor moveleiro, o Ministério da
Fazenda determinou no fim de novembro a alíquota zero para os produtos.
Após o descumprimento do acordo informal feito com o governo, os
fabricantes de móveis declararam guerra à indústria dos painéis. Além
de informar ao governo sobre os reajustes, a Abimóvel pedirá na próxima
semana que o Imposto de Importação das chapas seja reduzido. A ideia é
abrir o mercado para pressionar preços mais competitivos.
Quando anunciou o IPI zero, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse
que gostaria de ver promoções nas lojas e mais descontos. "Queremos que
o consumidor dê uma melhorada nos móveis da casa. É o que funciona:
você já aproveita o embalo da redução do governo para abaixar a margem
e apostar nas vendas", afirmou.
A medida do governo vale até 31 de março. O ministério, entretanto, não
pode intervir na política de preços das empresas. A expectativa das
fábrica de móveis -antes do aumento de preço dos painéis - era
recuperar os prejuízos e aumentar as vendas em 5% mensais durante o
período de isenção.
Minha Casa, Minha Vida
O IPI zero para os móveis pode ser uma maneira de tornar mais atraente
o programa Minha Casa, Minha Vida, da Casa Civil. Ao lado do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento), o programa é a principal
vitrine da ministra Dilma Rousseff no ano eleitoral.
A Abimóvel negocia com a Caixa Econômica -que faz os financiamentos do
Minha Casa, Minha Vida - linhas de créditos para o setor. A ideia é
oferecer taxas de juros diferenciadas para quem quiser mobiliar as
casas construídas com o dinheiro do programa do governo federal.
Fonte: www.folha.uol.com.br - 12/01/2010








