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Mais segura, Colômbia quer atrair empresas exportadoras do Brasil

Depois de ter conseguido baixar os índices de violência e diminuir sensivelmente o poder de fogo dos grupos guerrilheiros, o governo colombiano está tentando atrair investimentos de empresas brasileiras para o país.

"Ontem, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, reuniu-se em São Paulo com empresários de diversos setores e apresentou a eles não apenas dados sobre a melhora na segurança, mas também um trunfo que pode ser ainda mais atraente para os negócios, a perspectiva de assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA.

Calderón, recém-reeleito como vice do presidente Álvaro Uribe, disse que espera que o Congresso americano aprove o tratado no primeiro semestre de 2007. O acordo teria um impacto direto no crescimento da economia colombiana. 'Todos os estudos falam de quem TLC geraria pelo menos 1 ponto a mais de crescimento na economia', disse ele ao Valor.

Com as condições especiais de comércio que o tratado ofereceria, a Colômbia espera se transformar em um plataforma para empresários brasileiros e de outras economias sul-americanas.

'É possível que um dia o Brasil tenha um TLC com os EUA. Eu não sei. Mas, enquanto isso, a Colômbia é um mercado muito bom onde investir e pode se converter em uma plataforma exportadora para mercados com os quais tem preferências tarifárias', disse ele. E acrescentou: 'O Brasil poderia fazer alianças com empresários colombianos para gerar exportações. Isso seria o lógico'.

A Colômbia já tem um acordo de preferência tarifária com os EUA, condicionado ao combate ao narcotráfico. O acordo expira em dezembro, mas Calderón se diz confiante na sua prorrogação. O governo Uribe vem discutindo o tema tanto com políticos republicanos como com democratas - estes, segundo pesquisas, com mais chances de conquistar a maioria na Câmara e, talvez, no Senado.

O país oferece outra vantagem. Tem saída tanto para o oceano Atlântico como para o Pacífico.

Na reunião de ontem, Calderón encontrou-se com empresários dos setores de alimentos, frutas, turismo, infra-estrutura e comunicações. Atualmente, são poucas as empresas brasileiras com presença na vizinho andino, entre elas Petrobras e Gerdau.

Do ponto de vista econômico, a Colômbia tem números que impressionam na região. Projeção de crescimento de 5% a 6%, inflação controlada em torno dos 4% (ante 7% há quatro anos), taxas de juros de 10% e expansão do emprego industrial ao ritmo de 3%. "Estamos gerando um círculo virtuoso econômico", diz Calderón.

Antes de ser eleito, em 2002, na chapa de Uribe, o vice-presidente foi jornalista e chegou a ser mantido como refém por oito meses pelos guerrilheiros das Farc (guerrilha de esquerda). Ele reconhece que a economia estaria melhor não fosse o ambiente de guerra civil que assolou o país por décadas. Segundo Calderón, estudos apontam que o país estaria crescendo 1 ou 2 pontos mais do que está.

Mas, em quatro anos de mandato, Uribe impôs uma política severa de combate aos grupos armados - que em alguns momentos levou inclusive a acusações de abusos contra civis. Os resultados foram uma redução em cerca de 50% dos homicídios, 72% nos seqüestros e de 70% nos atos classificados pelo governo como terroristas. 'O certo é que violência diminui de maneira dramática. E isso teve um impacto imediato no crescimento econômico', aponta Calderón. Os investimentos privados, diz, cresceram mais de 20% em três anos, e em 2005 o investimento estrangeiro direto chegou a US$ 10 bilhões."


Por Marcos de Moura e Souza

Fonte: Valor Econômico-Sistema de Informações IEA/Funcex - 25/10/2006


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