Menos competitivo
Apesar dos bons resultados econômicos dos últimos meses, o Brasil perdeu competitividade em relação aos outros países.
Em uma lista de 55 nações, o país aparece neste ano
em 49º lugar. É o pior desempenho desde 1996, quando passou a integrar
o rol dos pesquisados pelo International Institute for Management
Development para compor o Relatório de Competitividade Mundial (WCY),
um indicador das vantagens e desvantagens competitivas das economias
mundiais. Em 2006, o Brasil ocupava a 44ª posição. O rebaixamento
mostra que os outros países estão se desenvolvendo mais, apesar dos
avanços brasileiros, segundo o coordenador da pesquisa no Brasil,
Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral. A expectativa era que
os dados fossem melhores em função do aumento do PIB (Produto Interno
Bruto) e das exportações. Mas o fato do Brasil melhorar dentro de seus
próprios indicadores não significa que melhorou frente aos demais
países. Eles avançaram mais, afirma.
A desvantagem brasileira
está em uma situação estrutural não resolvida, alerta. Apesar de ter
boas notícias no fator macroeconômico, no conjunto ainda está numa
situação muito ruim. Os demais países estão modernizando seus parques
tecnológicos, investindo em educação. Enquanto isso, o Brasil tem que
se preocupar com problemas básicos, afirma. Segundo o relatório, o país
ainda se destaca negativamente pela alta carga tributária, pelo custo
do capital e pela excessiva burocracia. De acordo com Arruda, é preciso
fazer as reformas tributária, fiscal e trabalhista, além de adotar uma
política cambial adequada às prioridades de expansão do comércio
internacional e soluções para os problemas no sistema de saúde e
educação. E é preciso correr contra o tempo, ressalta. “Corremos o
risco de perder capacidade competitiva para gerar riquezas no futuro.”
Longo prazo
No índice
deste ano, que reúne dados econômicos de 2006 e entrevistas com
executivos elaboradas no primeiro trimestre de 2007, o relatório aponta
a falta de políticas de longo prazo como um dos fatores que
prejudicaram o Brasil. Para o próximo ano, a expectativa é uma melhora,
caso o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) saia do papel. Não
ter um plano é pior do que ter um plano que seja lento. Em 2008 os
dados devem ser melhores com a implantação do PAC e do Plano de
Desenvolvimento Educacional” (que prevê mais investimentos na educação,
inclusive com aumento de salário dos professores).
De acordo
com o documento, apenas seis países possuem um grau de competitividade
pior que o do Brasil: África do Sul (50o lugar), Argentina (51),
Polônia (52), Croácia (53), Indonésia (54) e Venezuela (55). Os Estados
Unidos aparecem no topo da lista. Em seguida, vêm Cingapura (2), Hong
Kong (3), Luxemburgo (4) e Dinamarca (5). Segundo Arruda, o índice é
utilizado por empresários para medir os cuidados que devem tomar na
hora de decidir sobre seus investimentos. É um alerta, mostra os
desafios que as empresas vão enfrentar para investir no país.”
Fonte: IEA/Funcex/Correio Braziliense








