Mercado árabe é prioridade para empresas brasileiras
As expectativas para o comércio bilateral entre o Brasil e a Liga dos Estados Árabes - formada por 22 nações -, este ano, são as melhores possíveis.
Contudo, o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Salim Taufic Schahin, afirmou que 2011 terá resultados ainda melhores.
"Em 2009 tivemos uma queda nas vendas dos países árabes para o Brasil de 50,19% e somente 4,28% de queda nas importações, ocasionado principalmente pela queda no preço do petróleo. Teremos este ano uma retomada dos setores que não se saíram bem no ano passado, porém, o sucesso e os resultados significantes para aviões e automóveis nós teremos em 2011, quando tudo estiver no caminho correto", disse.
De acordo com Schahin, 2010 será um ano de extrema importância para o setor agrícola, com a venda de açúcar - ainda pelo déficit da Índia -, o aumento do consumo do complexo de carnes em até 6%, a demanda elevada de soja e a tendência em alta da compra de milho e cereais. "Podemos apontar além do setor agrícola, que as commodities metálicas como o minério de ferro deverão ter seus preços elevados e também uma maior inserção nos países árabes. Seguidos estão os setores eletroeletrônico, de construção civil e bens de consumo como têxteis e calçados, todos que foram duramente penalizados com a crise mundial."
Os dados da Câmara apontam que o setor de automóveis foi o que teve o maior impacto frente a crise financeira. Em 2008 as exportações alcançaram US$ 372 milhões e a participação no total das exportações brasileiras era de 3,79%, no ano passado, o valor vendido foi de US$ 170 milhões e a participação caiu para 1,81%.
Segundo Rodrigo Solano, gerente de Desenvolvimento de Mercados da Câmara, os minérios tiveram uma redução de 40% nas exportações, na comparação entre 2008 e 2009, o principal registro foi do aço, que teve sua participação nas exportações brasileiras diminuída, ao passar de 5,13% em 2008 para 1,69% em 2009. Na mesma análise, os cereais tiveram uma maior participação nas importações feitas pelo mercado árabe, ao passar de 2,51% para 3,22% dos produtos importados. Já o complexo carnes (bovina e de frango) e açúcar apresentaram crescimento ao passar de 28,14% para 28,86% e de 18,1% para 27,39%, respectivamente, na mesma comparação.
"A maior dificuldade brasileira é referente a logística para adentrar no mercado árabe. Um dos principais exemplos são as frutas, que não possuem uma infraestrutura correta para a exportação por serem produtos perecíveis. Contudo, a tendência é de um maior entrosamento", explicou o gerente da Câmara.
"A participação do Brasil no mundo árabe é de 1,7%, o que demonstra o potencial de crescimento que pode ser aproveitado pelo País. Devemos investir em produtos com maior valor agregado, angariar novos mercados e apostar na competitividade dos produtos brasileiros, por meio dos diferenciais originalidade e design", afirmou Schahin.
Para a Câmara, o setor que merece atenção é o de maquinários e aparelhos mecânicos. Em 2008, as 22 nações árabes adquiriram US$ 77,95 bilhões desses produtos, sendo que apenas 0,4% deles, são provenientes do Brasil. O mesmo acontece com o setor de eletroeletrônicos, cujas importações árabes totalizaram US$ 47,93 bilhões, com participação de apenas 0,23% das empresas brasileiras as compras.
A balança comercial entre os países árabes e o Brasil registrou em 2009 superávit de US$ 4,169 bilhões, resultado das exportações de US$ 9,39 bilhões e importações de US$ 5,22 bilhões.
Fonte: www.global21.com.br - 21/01/2010








