Mercado interno deve garantir crescimento em 2008
As indústrias esperam que o bom início de 2008 se prolongue pelo ano todo. As perspectivas de um novo crescimento estão ancoradas na demanda interna porque os setores exportadores temem novo recuo nas vendas externas.
Para Vicente Donini, da Marisol, há
indicativos de que o varejo não deve perder o ânimo em todo o primeiro
trimestre de 2008 nas encomendas para a indústria. Ele diz que além do
cenário atual, de melhora do consumo, contribui para essa perspectiva
as boas vendas no inverno de 2007. A Marisol encerrará 2007 com o menor
estoque da sua história, não só pelas encomendas atuais, como pela
implantação do sistema de produção enxuta, que prevê redução de
estoques. No mesmo período do ano anterior, para efeito de comparação,
ele cita que o estoque era o dobro do registrado neste ano.
A catarinense Brandili,
que produz roupas infantis voltadas principalmente para as classes de
renda B e C, foi beneficiada pela conjuntura econômica brasileira, e
também por uma campanha de marketing mais agressiva, acredita o
gerente-comercial da empresa, Germano Costa. O executivo está otimista
com a demanda prevista para 2008. Em seu plano de negócios, a empresa
continuará utilizando mais produção terceirizada junto às facções para
garantir as entregas sem a necessidade de investir em ampliação de
fábrica. Segundo ele, há boas perspectivas para a próxima coleção, já
voltada para a temporada outono/inverno. Neste ano, a Brandili encerra
as atividades sem estoque. No ano passado, a situação era diferente: o
estoque no fim do ano acumulava aproximadamente 200 mil peças.
A Bibi,
de Parobé (RS), especializada em calçados infantis, prevê para o Natal
deste ano no varejo vendas pelo menos 10% maiores que as de 2006, com
reflexos positivos em 2008. O presidente da empresa, Marlin Kohlrausch,
estima produzir 3,5 milhões de pares no ano que vem, ante no máximo 3,3
milhões em 2007, dos quais 1 milhão serão exportados. O faturamento
deve crescer na mesma proporção, cerca de 6%, para R$ 120 milhões. O
quadro de funcionários permanece estável desde 2006, na faixa de 1,5
mil pessoas.
Também com um quadro estável de 300 funcionários, a gaúcha West
Coast, deve fechar 2007 com produção de 1,7 milhão de pares, dos quais
410 mil só nos meses de outubro e novembro. No ano passado o volume
total ficou em 1,5 milhão de pares e no período o faturamento deve
evoluir de R$ 117 milhões para R$ 137 milhões. Cerca de 30% dos volumes
produzidos pela empresa são exportados.
O otimismo dos
calçadistas só é ofuscado pelo câmbio, que reduz os volumes exportados
e começa a aumentar a concorrência no mercado interno com a entrada de
produtos importados da China. Conforme a Associação Brasileira das
Indústrias de Calçados (Abicalçados), as exportações devem recuar de
US$ 2,05 bilhões para US$ 1,95 bilhão entre 2007 e 2008, enquanto as
importações totais devem crescer de US$ 223 milhões para US$ 335
milhões. Com isso, a estimativa é que a produção nacional se reduza de
764 milhões de pares neste ano para 733 milhões em 2008. Em 2006 o
volume havia sido de 796 milhões de pares.
Janeiro costuma ser mês de liquidação de móveis, mas o diretor administrativo e industrial da paranaense Moval,
uma das maiores fabricantes de itens para quarto do país, Ivan
Oliveira, prevê que em 2008 será diferente. Segundo ele, os fabricantes
foram avisados de que as chapas de madeira terão aumento de cerca de
12% no início do ano. O impacto no produto final está estimado em 7%.
Por isso, em vez de descontos, o que se prevê é aumento nos preços.
Mesmo
assim, Oliveira espera vender em janeiro pelo menos 6% a mais do que em
igual mês de 2007. Ele contou que as entregas para o Natal estão
esgotadas e os pedidos para o próximo mês já estão sendo feitos. Na
Moval não haverá férias coletivas e a empresa chegou a contratar
temporários e trabalhar com horas extras para atender as encomendas. Em
2007 a Moval, que fica em Arapongas, sede de um pólo moveleiro formado
por mais de 500 indústrias, irá fabricar 2,4 milhões de móveis para
quarto, sendo 80% para o mercado interno e 20% para exportação. O
volume é 20% maior que em 2006.
O natural declínio nas vendas em janeiro ajudará a mineira Vilma
Alimentos a regular os estoques depois de um dezembro com vendas 12%
acima do mesmo período do ano passado. Para atender a demanda acima do
esperado, foi preciso acelerar a produção na fábrica de Contagem. A
Vilma vai fechar 2007 com um faturamento de R$ 355 milhões, 11% maior
que o registrado em 2006.
Na área de eletroeletrônicos, o
setor de distribuição de energia elétrica é o único que encerra 2007 em
ritmo mais lento, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria
Elétrica e Eletrônica (Abinee). Ainda assim, o crescimento no ano em
relação a 2006 é de 18%. Humberto Barbato, presidente da entidade,
observa que, a desaceleração deve-se à redução dos investimentos do
governo no programa Luz para Todos. "As empresas de energia também não
querem fechar o ano com estoques de produtos", afirma. "As demais áreas
devem fechar ano em ritmo normal, repetindo o desempenho dos meses
anteriores", completa.
Neste ano, as indústrias do setor
atingiram 95% de sua capacidade instalada, 7 pontos percentuais acima
do registrado em dezembro de 2006. Entre os setores com maior índice de
crescimento estão o de equipamentos industriais (16%), material de
instalação (13%) e automação industrial (11%). O setor como um todo
cresceu 8% no ano.
Para 2008, a Abinee prevê expansão de 9% na
indústria eletroeletrônica, para um faturamento de R$ 123 bilhões. A
estimativa leva em consideração uma projeção de expansão da economia de
4% e a continuidade do crescimento da renda e do emprego, com inflação
controlada. Conforme a entidade, os maiores índices de crescimento
ocorrerão no setores de automação industrial (14%), material de
instalação (13%), informática (12%), equipamentos industriais e
utilidades domésticas (10%).
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) não tem previsão fechada para o próximo ano, mas, dada a expansão da atividade industrial no Estado, prevê manutenção no ritmo de crescimento nas áreas de eletroeletrônicos e motocicletas. "Os televisores de LCD e plasma e o set top box (conversor de sinal para televisão analógica) tendem a sofrer uma redução nos preços e, com isso, as vendas deverão aumentar nas diferentes regiões do país no próximo ano." (Colaboraram Marli Lima, de Curitiba, e Ivana Moreira, de Belo Horizonte).
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico








