Mercado interno faz indústria bater recorde
O consumo interno aquecido causou forte alta da produção da indústria brasileira em outubro.
Com a renda e o emprego em alta e
condições de crédito favoráveis, o setor respondeu além do esperado e a
produção cresceu 10,3% em relação a outubro do ano passado, na maior
taxa desde agosto de 2004, quando ficara em 13,3%, de acordo com a
Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Na comparação com setembro deste ano, a
produção subiu 2,8% em termos dessazonalizados, o maior aumento desde
setembro de 2003, quando houve alta de 4,6%. "Em 2007, a dinâmica do
desempenho industrial está muito associada à demanda interna, embora as
exportações também apresentem bons resultados", disse o coordenador de
Indústria do IBGE, Silvio Sales.
O coordenador do instituto
ressalta a generalização da expansão do setor - 23 dos 27 ramos
pesquisados apresentaram alta sobre outubro de 2006 - e a robustez dos
resultados. Não somente a indústria chegou ao maior nível de produção,
como os bens de capital, intermediários e duráveis também bateram em
outubro o maior nível produtivo da série histórica.
Sales diz
que a boa distribuição da expansão se reflete ainda no índice de
difusão do crescimento entre produtos industriais abrangidos pela
pesquisa. Em outubro, o índice ficou em 62,5% e no acumulado do ano, a
média correspondeu a 64%, taxas bem acima dos 54,6% de 2006.
A
expansão industrial de outubro mudou as expectativas para 2007. Se
antes a previsão dos economistas variava para uma taxa em torno de
5,5%, agora a estimativa subiu para uma expansão de 6%. "Foi um
resultado muito forte. A indústria vem acelerando desde o segundo
trimestre e até o fim do ano deve fechar em 6% ou um pouco mais",
afirmou a economista Marcela Prada, da consultoria Tendências.
O
resultado indica um Natal com vendas mais elevadas em 2007, diz o
coordenador do IBGE, apesar dos meses de outubro e de agosto
registrarem os picos anuais de produção por concentrarem as encomendas
para as vendas de fim de ano. "Se a indústria se prepara, sinaliza um
bom fim de ano", disse Sales, acrescentando que as sondagens com
empresários já apontam para um maior aquecimento para o final do ano.
A equipe de análises econômicas do Bradesco
avalia que além do crédito, do emprego e da renda, a inflação baixa e o
câmbio valorizado foram importantes para fomentar a demanda neste ano,
ao ajudarem a manter em alta a renda real da população. Os economistas
do banco ressaltam que, embora o Banco Central tenha parado de reduzir
os juros nas duas últimas reuniões do Copom, a economia ainda recebe os
efeitos expansivos dos cortes anteriores.
Todos os gêneros
industriais registraram expansão em outubro. O maior avanço ficou com
os bens de capital, cuja alta chegou a 26,8% em comparação com outubro
do ano passado, sinalizando a continuidade dos investimentos em
máquinas e equipamentos. Todos os segmentos dos bens de capital tiveram
acréscimo de produção, com destaque para os voltados para a agricultura
(60,6%), energia (52,6%) e transporte (30,1%). Os bens de capital para
fins industriais registraram aumento de produção de 13,2%.
Segundo
Sales, a agricultura entrou em fase de recuperação depois de dois anos
fracos, enquanto a energia elétrica cresce desde o ano passado,
refletindo também os programas de estímulo à eletrificação.
Os
bens duráveis, estimulados pelo crédito farto, juros mais baixos e
prazos mais longos, aumentaram a produção em 18,2% na comparação com
outubro de 2006. Os automóveis deram a principal contribuição nos
duráveis, com elevação de 26,1% na comparação com outubro do ano
passado. A indústria de eletrodomésticos também reagiu bem à demanda
interna e cresceu 13,9%.
Os bens intermediários, que detêm o
maior peso na indústria geral, subiram 8,8% em outubro, com destaque
para os insumos para a construção civil (10,2%). Outro resultado
relevante nos intermediários foi obtido pelo segmento de papel e
celulose, cuja alta alcançou 14,8%, depois de avançar apenas 1% nos
primeiros nove meses do ano, sob a influência negativa em setembro de
uma parada para manutenção de uma grande unidade da Aracruz.
O bom desempenho de bens intermediários aconteceu a despeito da queda
de 5,3% na produção de petróleo e gás, que sofreu com paradas e atrasos
de plataformas da Petrobras.
Já os bens de
consumo semi e não-duráveis subiram 5,9%, puxados pelos semiduráveis
(calçados, têxteis e vestuário), que cresceram 11,4% em relação a
outubro do ano passado, na primeira alta de dois dígitos desde 2004,
reforçando, diz Sales, a importância do mercado interno para o
desempenho da indústria ao longo do ano. Nos semiduráveis, a alta mais
relevante, de 5,2%, ocorreu nos alimentos e bebidas elaborados para
consumo doméstico A economista Thaís Zara, da consultoria Rosenberg
& Associados, ressalta que este ramo é menos afetado pela
concorrência com os importados, que tem afetado mais a produção
nacional de calçados e confecções.
No ano, a indústria geral acumulou alta 5,9% e nos 12 meses encerrados em outubro, a expansão chegou a 5,3%.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/Valor Econômico








