Móveis, têxteis e eletrônicos reagem contra real apreciado
Três setores industriais começam a se mobilizar contra os prejuízos causados pela baixa cotação do dólar.
Com previsão de demissões em massa, fechamento de fábricas e já com saldos negativos em suas balanças comerciais, os empresários dos setores têxtil, eletroeletrônicos e moveleiro planejam mobilização junto aos parlamentares, pedidos de proteção tarifária e até mesmo uma caminhada na Esplanada dos Ministérios pedindo ajuda para não quebrarem. “O efeito do dólar tem sido desastroso. Se continuar assim teremos que demitir mais de 200 mil funcionários e amargar um déficit recorde de US$ 1 bilhão no comércio exterior”, lamentou o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Valente Pimentel. “Temos condição de competir, mas queremos igualdade de condições e fiscalização contra a ilegalidade”, completou. Para a Abit, o déficit da balança comercial do setor têxtil e de confecção brasileiro atingiu US$ 91 milhões em março, o pior resultado mensal desde novembro de 1997. Esse valor é 840% superior ao saldo negativo registrado em igual mês do ano passado, que era de US$ 9,7 milhões.
Em valores
nominais, em março foram exportados US$ 190,7 milhões, uma queda de 1,95% em
relação a março de 2006. No acumulado dos três primeiros meses do ano a baixa é
de 0,70% sobre igual período de 2006, com embarques de US$ 525 milhões em
mercadorias (matéria-prima e produtos manufaturados).
Por outro
lado, as importações, ao contrário, vêm aumentando. No mês passado, o
crescimento foi de 38% sobre março de 2007. As compras externas de roupas
aumentaram 12,8% em valores, ante igual período em 2006. No acumulado de
janeiro a março, o aumento é de 21%.
Pimentel
negocia com o governo o aumento da Tarifa Externa comum (TEC) para os produtos
de vestuário de 20% para 35%. “Há consenso no governo e os demais países do
Mercosul não se opuseram. Acreditamos que o novo percentual deve entrar em
vigor em 60 dias”, comenta o diretor. Além disso, no próximo dia 18 de abril, a
ABIT irá realizar uma Mobilização no Congresso Nacional para entregar aos
parlamentares uma proposta para implantação do Super Simples para todo o setor.
O objetivo é simplificar os impostos para que a indústria têxtil e de confecção
tenha mais competitividade, possa realizar mais investimentos e gerar mais
empregos.
Na oportunidade, a entidade irá sugerir a implementação de medidas que intensifiquem ainda mais a fiscalização de mercadorias importadas e a realização de acordos comerciais com os principais países compradores de têxteis e de vestuário.
Eletro e móveis
Outro setor
pego pela desvalorização cambial foi o de eletroeletrônicos. Pela primeira vez
em nove anos a balança comercial do setor apresentou saldo negativo. Segundo
levantamento da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos
Eletroeletrônicos (Eletros), as importações totais de linha branca, imagem e
som e portáteis alcançaram US$ 722 milhões, com um crescimento de 58,28% em
relação a 2005, enquanto as exportações somaram US$ 687 milhões, com um
incremento de apenas 3,27%. Resultado disto, o saldo da balança comercial
fechou negativo em US$ 35 milhões. “O setor eletroeletrônico de consumo não
quer ser deficitário e tem condições de reverter esse resultado. Para isso,
basta que algumas questões sejam equacionadas. Por isso, estamos conversando
com o governo para apresentar sugestões que permitam recuperar a
competitividade das indústrias instaladas no País”, afirma Paulo Saab,
presidente da Eletros. Ele explica que as barreiras impostas pela Argentina ao
Brasil também dificultaram o livre comércio de produtos, reduzindo as
exportações brasileiras, “A isso se somou a tributação em cascata, que onerou
significativamente os custos do produtor nacional e provocou aumento no preço
final dos produtos exportáveis”, completou.
Com reuniões
marcadas com vários setores do governo e na liderança da criação de uma Frente
Parlamentar em defesa dos setores eletroeletrônico, móveis, calçados e têxtil,
a Eletros defendem que haja uma melhora nos aspectos de competitividade do País
e, conseqüentemente, da indústria brasileira. “Além de uma equação mais
equilibrada do câmbio, é necessário uma melhoria da infra-estrutura de portos,
redução da burocracia, da carga trabalhista e tributária entre outros pontos”,
completa Saab.
O setor de móveis também sente os efeitos da desvalorização cambial. Segundo os dados apurados pela Associação Brasileira da Indústria Moveleira (Abimóvel), as exportações setoriais tiveram queda de 4,65%, em 2006, em relação a 2005 devido principalmente ao câmbio desfavorável, lamentou o presidente da entidade, José Luiz Fernandez. Essa freada no crescimento das exportações deve-se à sobrevalorização do real ante o dólar. “Começamos o ano acreditando numa recuperação, mas com a queda ainda maior do dólar, estamos vendo que este percentual negativo deve aumentar em 2007”, afirmou Fernandez , que revelou estar organizando uma Marcha em Brasília para sensibilizar o governo federal.
Fonte: www.dci.com.br








