Móvel popular puxa venda de painéis
Fabricantes esperam crescimento de até 20% para este ano.
Curitiba, 30 de Maio de 2007 - Setor movimentou R$ 1,8 bi em 2006. A demanda por móveis populares e novas
tecnologias de produção está aquecendo o mercado de painéis de madeira de
aglomerado e sua versão mais nova, o Medium Density Particleboard (MDP), cujas
vendas, de R$ 1,8 bilhão e 2,2 milhões de metros cúbicos em 2006, devem crescer
de 12% a 20% em 2007, segundo previsão das fabricantes.
A Satipel, que
lidera esse segmento com 27% de participação de mercado, registrou um
crescimento de vendas de 30% em volume (não revelado) no primeiro quadrimestre,
segundo Roberto Szachnowicz, vice-presidente comercial. "A queda de juros está
estimulando tanto a compra de móveis quanto a construção civil pela população de
baixa renda", afirmou ele, que estima que 80% da produção de aglomerado e do MDP
seja destinada a móveis populares.
A Associação Brasileira da Indústria de
Painéis (Abipa) projeta um crescimento de 12% nas vendas em 2007. Já Szachnowicz
estima crescimento do mercado de aglomerado e MDP em 20% para 2007. As duas
fábricas da Satipel operam hoje muito próximas do limite da capacidade, segundo
o executivo.
A fábrica de Taquari (RS), que tem potencial para fazer 200 mil
metros cúbicos por ano de aglomerado, está 100% ocupada e a de Uberaba (MG), que
pode produzir 800 mil metros cúbicos de MDP por ano, deve chegar a 95% de
ocupação até o final do ano. "Acreditamos que se trata de um movimento
consistente, até porque há uma demanda reprimida e um déficit habitacional no
Brasil que é um dos maiores do mundo", afirmou.
Com foco no aumento da
demanda, a Berneck vai investir em uma nova fábrica de MDP, com capacidade para
800 mil metros cúbicos por ano. O projeto, que inclui ainda a construção de uma
serraria, deve absorver investimentos da ordem de US$ 140 milhões, segundo
Gilson Beneck, diretor presidente da empresa. Enquanto a unidade nova não fica
pronta - a previsão é inaugurar a fábrica, em Santa Catarina, em 2009 - a
empresa vai ampliar a capacidade de produção em Araucária, na região
metropolitana de Curitiba. A fábrica atual de MDP, que tem capacidade para 560
mil metros cúbicos, deve atingir o limite já em 2007, segundo Berneck. "Vamos
aplicar outros US$ 5 milhões para elevar esse potencial para 610 mil metros
cúbicos em 2008", afirmou.
Tecnologia
Para Gilson Berneck, o avanço do
setor deve-se ao aumento da tecnologia e à mudanças no sistema de produção, com
a introdução do MDP, considerado a evolução do aglomerado. "A substituição da
prensa de ciclo pela contínua e a utilização de classificadores e softwares de
controle deram origem a um novo produto, de maior qualidade, durabilidade e
grande resistência", disse. Atualmente as principais indústrias do setor já
estão com linhas de MDP. As fabricantes querem deixar para trás a imagem
negativa do aglomerado, que no passado ficou conhecido como um painel de segunda
linha, que com o tempo esfarelava e entortava por conta da ação do calor ou da
umidade. A baixa qualidade fez com que o aglomerado perdesse espaço em algumas
aplicações para o MDF (Medium Density Fiberboard).
As principais diferenças
entre o MDP e o MDF estão no preço e na aplicação. O MDF é obtido a partir de
pequenas fibras de madeira, aglutinadas com resinas sintéticas por meio de
temperatura e pressão. O produto é destinado à móveis, pisos e construção civil
(portas, rodapés, dentre outros). Sua principal vantagem é ter versatilidade de
forma (cortes e usinagem) e revestimento. Mas a sua produção demanda em média
30% mais madeira e resina que o MDP, além de consumir três vezes mais energia
elétrica. O MDP, ou aglomerado, por sua vez, é obtido a partir da redução da
madeira em partículas (maiores que as do MDF), impregnadas de resina sintética.
São utilizados em móveis e divisórias e têm como principal vantagem o baixo
custo e a versatilidade no revestimento. O MDP é em média 40% mais barato do que
o MDF. O preço do painel particulado hoje varia de R$ 650 a R$ 700 por metro
cúbico, segundo as fabricantes.
Maior procura pelo MDP
Para Alexandre
Coelho, diretor comercial da divisão de madeira da Duratex, o fato do preço do
MDF ter subido nos últimos anos também fez com que aumentasse a procura pelo
MDP. A Duratex registrou um crescimento de 10% nas vendas de MDP no primeiro
quadrimestre sobre o mesmo período de 2006 e deve manter o ritmo até o final do
ano, de acordo com Coelho. A divisão de madeira, que gerou receita bruta de R$
1,3 bilhão para a empresa no ano passado, possui hoje quatro centros de produção
de painéis, nas áreas de MDF, chapa de fibra e MDP. A fábrica de Itapetininga
(SP), que faz a linha de MDP, trabalha hoje com 80% da capacidade, de 500 mil
metros cúbicos por ano, e deve chegar a 85% té o final do ano, segundo informou
Coelho.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Cristina Rios)








