Moveleiras elevam investimentos
Real valorizado facilita compra de máquinas que deve absorver R$ 466 milhões este ano.
Caxias do Sul (RS), 19 de Setembro de 2007 - Real valorizado facilita compra de
máquinas que deve absorver R$ 466 milhões este ano. O setor moveleiro brasileiro
deve encerrar 2007 com faturamento total de R$ 19,2 bilhões, que vai representar
crescimento real de 3,9% sobre 2006. Num horizonte de dez anos, o indicativo é a
elevação média anual de 3% ao ano, o que significa 35% acumulados em 2017. A
previsão é do diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi),
Marcelo Prado, coordenador do Relatório Setorial da Indústria de Móveis no
Brasil 2007, elaborado com apoio institucional da Associação das Indústrias de
Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs). O trabalho serve de sinalizador para a
indústria. Ambas as projeções, situam-se acima do crescimento vegetativo da
população.
A tese de Prado baseia-se num conjunto de fatores econômicos que
ajudaram a reprimir o consumo nos últimos cinco anos e nas condições que estão
sendo criadas para um crescimento virtuoso do setor imobiliário, oferta de
crédito e taxas de juros menores. A presidente da Movergs, Maristela Longhi,
mostra-se um pouco mais otimista. A executiva aposta numa alta média anual de 4%
a 5%. "O crescimento passa pelo consumo maior no mercado interno e exportações,
mesmo com o câmbio que está aí", afirmou a empresária.
"Não faltará oferta",
afirmou Marcelo Prado, destacando que, após colocar um freio nos investimento,
os fabricantes de móveis começaram a deslanchar em 2006, quando aportaram R$
592,9 milhões para compra de equipamentos, instalações, treinamento e processos.
Este montante é 80% superior ao do ano anterior (R$ 329 milhões). Neste ano a
previsão é a aplicação de mais R$ 620 milhões, sendo 75% (R$ 466 milhões),
destinados à aquisição de máquinas.
De acordo com Prado, o dólar baixo
favorece a modernização e a ampliação. "É bem provável que os empresários tirem
os projetos da gaveta", afirmou o diretor do Iemi. "É bom lembrar os
investimentos que estão sendo executados pelos fornecedores de chapas de
madeira, alguns dobrando a capacidade instalada", disse.
Somando a produção
de móveis para escritório, dormitórios, salas de jantar, salas de estar,
estofados e móveis modulados, a indústria brasileira fechará 2007 com um total
de 346 milhões de unidades, que equivale a uma alta de 10,9% sobre o volume
registrado no ano passado. Em 2005 foram produzidos 280 milhões de peças. Os
segmentos de móveis para escritório, modulados e salas de jantar estão entre os
mais procurados.
Maior fabricante de móveis do País, a gaúcha Todeschini, de
Bento Gonçalves, na serra gaúcha, prepara-se para crescer 20% neste ano,
totalizando R$ 300 milhões em receitas. Em 2003, quando decidiu optar por lojas
exclusivas como canal para comercializar a sua linha mais nobre, o faturamento
foi de R$ 190 milhões. "2007 marca a consolidação de uma fase importante para o
grupo", afirmou o diretor comercial, Rogério Frâncio.
O executivo da
Todeschini informou que o mercado externo ficou de fora dos planos nesta fase,
mas há planos de retomada no médio prazo. "Atualmente as exportações são
modestas. Estamos trabalhando para daqui a pouco representarem entre 10% e 15%
do faturamento", adiantou Rogério Frâncio. Neste momento, o executivo está
debruçado no projeto de qualificação da rede que conta com mais de 400 lojas em
todo o Brasil.
Mesmo com o dólar no estágio que se encontra, o setor projeta
exportações de US$ 1 bilhão neste ano, ultrapassando pela segunda vez a barreira
do bilhão. A primeira vez foi em 2005. No ano passado embarcou US$ 963 milhões.
Já as importações o estudo mostra que vêm crescendo desde 2003, ano em que foram
adquiridos US$ 100 milhões. No ano passado foram US$ 202 milhões. A projeção
para este ano é de US$ 273 milhões.
Outro indicativo do estudo elaborado
pelo Iemi é o de que uma parte das 5,2 mil indústrias de móveis, formada por
marceneiros, tende a focar a atuação nas classes A e B, com produtos
personalizados. "É lógico que eles ainda precisam passar por um aprimoramento
para atender melhor esta faixa de consumidor, ou seja, com um local mais
apresentável, show-room e catálogo", sugeriu Prado. O estudo completo será
apresentado durante a programação do XVII Congresso da Movergs, no dia 28 de
setembro, em Bento Gonçalves.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág.
5)(Guilherme Arruda)
Fonte: http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=13%2C0%2C+%2C848584%2CUIOU - 19/9/2007








