De olho na expansão da classe média
Moveleiros apostam em diversificação de linhas e investimento em design e criatividade para ganhar consumidor.
Embora a queda nas exportações tenha sido expressiva, o faturamento total dos moveleiros em 2009 caiu somente 1,78%, um indício de que as empresas souberam diversificar as receitas apesar da crise mundial. O resultado também mostra que a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que vigorou de novembro de 2009 ao final de março, auxiliou as empresas. Além disso, em abril, o governo federal anunciou a redução da alíquota básica do IPI para os moveleiros, de 10% para 5%.
Para Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), os números de 2010 devem refletir a retomada aos níveis de 2008. As empresas, segundo Cansan, estão apostando em projetos mais sofisticados, mas evitando o aumento de preços. “Ninguém mais abre mão de ter um produto sem design e inovação. Não tem mais espaço para commodity”, diz Cansan. Boa parte das atenções estão sendo dirigidas aos produtos para a classe média, que vem sendo beneficiada pela fartura de financiamentos para o mercado imobiliário - nova casa, novos móveis. “A maioria das empresas está investindo em design. Tem que ser muito criativo. O consumidor está buscando um produto barato, mas com diferencial”, avalia Glademir Ferrari, presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis).
Apesar das boas perspectivas e do corte de impostos, o mercado tem um novo desafio no futuro próximo, de acordo com Cansan. A retomada está incentivando fornecedores a aumentar preços, desfazendo os ganhos da nova alíquota do IPI. O principal vilão do momento são os painéis de madeira aglomerada, como o MDF, que respondem por cerca de 50% dos insumos do setor. “Vamos repassar os preços aos poucos, mas estamos prensados entre o fornecedor e o lojista”, diz Cansan. Como a produção depende de maquinário específico, falta alternativa para os produtores. “Não há como tirar o aglomerado. Podemos considerar novos materiais, mas é um pouco demorado. Não temos como mudar o maquinário agora”, lamenta Ferrari.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br - 25/5/2010








