Moveleiros partem para importações
Afetado na rentabilidade pela desvalorização do dólar, o setor moveleiro não vê perspectivas de mudança no cenário em 2008.
A
presidente da Movergs, Maristela Longhi, acredita que a situação pode
ficar ainda mais complicada, já que as projeções são de um
enfraquecimento ainda maior da moeda norte-americana, que pode baixar à
cotação de R$ 1,60. Também não vê alternativas por meio do governo
federal, que, segundo ela, tem se mostrado insensível às reivindicações
do setor. Nesse caso, cabe às próprias indústrias se protegerem.
Maristela diz que reduzir as exportações é impensável, não só porque o
mercado interno não tem capacidade (renda) de absorver a produção, mas
também por um motivo estrutural. “Preparamos-nos ao longo dos anos para
exportar. Montamos uma estrutura para isso, com investimentos. Foi uma
estratégia de longo prazo, que não pode ser abandonada agora”, explica.
O que não significa braços cruzados diante do problema. Uma das
alternativas encontradas pelas empresas para equalizar custos é a
importação. Mas o custo social é alto.
Cadeia em risco
A presidente da Movergs diz que já há empresas que partiram para a
importação de componentes como uma espécie de hedge (proteção) à
desvalorização cambial. Os reflexos não devem tardar na balança
comercial. “Podemos importar, mas a que custo? A quebra da matriz
produtiva do setor?”, questiona Maristela.
Impacto
As alternativas mais simples têm impacto social, afirma a dirigente. Se
o setor parar de exportar, o nível de emprego cai cerca de 30%. A
importação em grande escala provocaria o mesmo, por quebrar os
fabricantes de componentes da cadeia. O setor buscará opções enquanto
as margens de lucro permitir.
Fonte: Correio do Povo








