Moveleiros seguem na ofensiva para manter e conquistar mercados em 2009
O ano de 2008 foi histórico, iniciando com projeções otimistas e mercados ávidos por novidades, terminando com uma crise mundial e cenários econômicos instáveis.
Mas, o setor moveleiro nacional não está
recolhido e segue na ofensiva em 2009, aproveitando o momento para
avançar fronteiras, buscar novos mercados, batalhar pela redução de
impostos, aprender ainda mais com a dificuldade do câmbio e trabalhar
melhor os clientes que já conquistou, tanto internamente como fora do
Brasil. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do
Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez, este será um primeiro
semestre de readequação e expectativa. “Do 1º ao 4º mês deverá ocorrer
uma acomodação no mercado, tanto das taxas de câmbio e vendas”,
destaca.
Fernandez aguarda o sucesso do varejo a partir da reposição de
estoque das vendas desse final de ano, por isso o primeiro quadrimestre
ainda deve ser bom. Até hoje, segundo a entidade, o mês de dezembro foi
bom, mas calmo. “A virada do ano será importante para definir os
próximos passos”, enfatiza o executivo. “Não chegamos a refletir sobre
a crise porque quando ocorreu, já estávamos com insumos e pedidos
feitos”.
A valorização do dólar em 2008, segundo o executivo da Abimóvel,
mais prejudicou do que ajudou. “Sofremos com aumentos repentinos da
moeda até ajustarmos as contas”, explica. Os altos preços dos insumos
importados também prejudicaram o desempenho das empresas, como por
exemplo, os efeitos sentidos a partir do aumento no valor do barril de
petróleo em derivados como tintas, vernizes, espumas e embalagens.
Esses insumos são necessários para a cadeia moveleira e, apesar da
pressão, os empresários seguraram o repasse. Agora, apesar da queda do
valor do barril no mercado internacional, os produtos não reduziram
seus preços ao patamar anterior.
A lógica do mercado não perdoa. “Aumenta o valor da matéria-prima
(importada), mas os clientes internacionais barganham mais (sabendo da
valorização do Real para a exportação) e, na contramão (pela crise), os
pedidos diminuem, gerando menor volume de compras. Além disso, o
mercado americano (um dos principais para o Brasil) está se retraindo,
sofrendo redução desde 2007”, explica o executivo. Fernandez estima que
o dólar recue até R$ 2,10, ou algo em um patamar desse nível.
A presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do
Rio Grande do Sul (MOVERGS) e diretora financeira da Multimóveis,
Maristela Cusin Longhi, destaca que esse último trimestre de 2008
indicou uma queda nas vendas do setor moveleiro, mas que somente em
março será possível definir uma posição sobre o desempenho das
empresas.
“Imaginávamos terminar o ano com 10% de crescimento em relação a
2007. Agora, nossas expectativas giram em torno de 8%. O mês de março
será importante para termos a dimensão dessa crise e o que isso
representará para o mercado”, enumerou a executiva. O Rio Grande do Sul
é segundo maior exportador do Brasil, em 2007 exportou US$ 289 milhões,
conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC).
Longhi reforça que o setor moveleiro gaúcho está preparado para
aumentar sua competitividade, porque no período certo investiu em
renovação do parque fabril, inovação e gestão, além de não descuidar da
prospecção comercial. Apesar dos entraves como dólar e panorama
negativo no mercado externo, a executiva não perde o otimismo e comenta
que todos os setores devem buscar seguir um ritmo forte e planejado
para crescer de forma contínua. Porque problemas sempre irão ocorrer e
o empresário deve estar preparado para contornar e aproveitar o momento
para fortalecer. “Através do planejamento, da gestão das empresas, do
trabalho, do acesso a informação e do conhecimento é que temos
condições de garantir a continuidade de crescimento sustentado, gerando
emprego e renda”, reforça Longhi.
Sem ter como estimar com maior fidelidade, na falta dos dados do
último trimestre e indicadores regionais atualizados, o presidente da
Abimóvel estima um primeiro semestre de cautela, conservador, com um
crescimento de 5% ante o mesmo período de 2008. A estimativa inicial
para 2009 seria de um crescimento de 7%, tendo um maior crescimento do
mercado interno. Segundo o executivo, as exportações também devem ter
um incremento, podendo ocorrer uma inversão mais forte de mercado.
O crescimento das exportações de 2007 para 2006 foi de 6%, segundo
dados da Abimóvel/MDIC. Até outubro de 2008, dados mais recentes
colhidos pela entidade, e pouco depois de se iniciar uma das maiores
crises financeiras mundiais que o mundo já passou, o Brasil havia
exportado US$ 847 milhões. 15,7% abaixo dos US$ 1,05 bi exportado em
2007, conforme informações do MDIC. Mesmo com um prazo curto para
atingir o mesmo volume, o executivo não perdeu a esperança de crescer.
O setor revisou recentemente de 5% para 2,5% a projeção de crescimento
das exportações para 2008 em relação ao ano anterior.
“A competitividade externa diminuiu em 2008 e os empresários
voltaram-se para dentro”, comenta Fernandez. Dentre os mercados
internacionais que ganharam maior expressão, destaque para Índia,
África e Rússia. “Pretendemos também buscar novos mercados”. Além de
continuar buscando nichos diversificados, o executivo incentiva o
crescimento internacional de empresas menores, mas bem estruturadas. “A
meta para 2009 é de aumentar 10% a participação das pequenas e médias
empresas nacionais no comércio internacional”.
A participação em eventos como o realizado em dezembro, em Dubai,
capitaneado pela Apex e com participação da Abimóvel, melhora o
relacionamento com os importadores. A comissão de fabricantes de móveis
brasileiros que participou da Index Dubai 2008 pelo Projeto Brazilian
Furniture, por exemplo, estima ter fechado negócios de US$ 6 milhões
até o primeiro semestre de 2009. A edição de 2008 teve a maior
participação brasileira, com 36 empresas, que foram divididas em cinco
segmentos: alta decoração, cozinhas, estofados, móveis e objetos de
decoração.
Com a valorização do dólar, o empresário está mais refém dos
mercados para ter sucesso, principalmente no exterior. “O mercado não
está comprador, além de ainda se manter competitivo”. Segundo
Fernandez, para vencer na competição mundial, os moveleiros brasileiros
devem diversificar mercados e produtos, focando em design próprio e
competitividade.
IPI
Para fortalecer a indústria nacional, a Abimóvel busca acelerar
projetos e medidas políticas que podem beneficiar toda a cadeia
madeira-móveis. Um item citado por Fernandez e Maristela Longhi é a
proposta de redução de IPI para móveis estofados e de metal, que apesar
do veto do Lula, ainda segue como bandeira, principalmente depois dos
benefícios concedidos ao setor automotivo.
O IPI já foi de 4%, na década de 90 e subiu para 10%. No governo
FHC alguns códigos (o governo classifica os itens industriais por
códigos de identificação) foram reduzidos para 5%, como cozinhas de
madeira. Mas esse indicador, para o presidente da Abimóvel, é
prejudicial e excludente, podendo ser ampliado de forma a abranger mais
empresas e produtos. “Móveis estofados e de metal ficaram para trás”,
comenta Fernandez. Para Longhi, esse foi um dos principais pontos
negativos de 2008, tendo que ainda permanece a manutenção das
diferenças do IPI, onde móveis de madeira e de aço ainda recebem uma
tributação diferente. “Queremos a igualdade e essa é uma das nossas
lutas para 2009.”, reforça a líder da Movergs.
Fernandez comenta que o Ministério da Fazenda estaria fazendo um
estudo para que a medida não fosse encaixada como Medida Provisória e
sim como portaria, acelerando o processo burocrático. Apesar do
empenho, ficou mesmo para 2009. “O governo está ajudando todos os
setores. Seria uma conquista para 2008 ou 2009”, projeta o executivo.
Por Henrique Puccini / Portal Moveleiro
Fonte: www.portalmoveleiro.com.br








