Mudanças climáticas podem afetar cerca de 20% das exportações brasileiras
As legislações de mudanças climáticas em
construção ao redor do mundo poderão impactar cerca de 20% das
exportações brasileiras em um futuro próximo. As informações estão de
acordo com estudo apresentado nesta segunda-feira no seminário “Comércio
e Mudança do Clima”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), em São Paulo.
“Nos Estados Unidos e na Europa
existem legislações em trâmite nos parlamentos para compensar, via
tarifas, os gastos desses países com medidas de mitigação de impactos
ambientais provocados durante a transformação industrial desses
produtos”, afirmou a gerente-executiva de negociações Internacionais da
CNI, Soraya Rosar. “A consequência disso é que o comércio desses
produtos será restringido”, complementou.
Se essas restrições entrarem
em vigor mundo afora, por volta de 20% das vendas externas brasileiras
na configuração de hoje em termos de destinos, volumes e preços, seriam
afetadas. É que informa a simulação feita pelo Centro de Estudos de
Integração e Desenvolvimento (Cindes).
No caso dos EUA, as medidas
de ajuste na fronteira serão colocadas em prática se a emenda
Kerry-Boxer ao Lieberman-Warner Climate Security Act¸ que tramita no
Senado, for aprovada. Segundo o texto da emenda, seriam medidas
“consistentes com as obrigações internacionais” de cada setor.
Se considerados apenas os
Estados Unidos, o estudo mostra que os possíveis impactos das medidas de
fronteiras atingiriam 26% das exportações brasileiras para aquele país
(que somaram US$ 15,7 bilhões em 2009). Esse percentual equivale a 3,6%
do total dos embarques brasileiros para todo o mundo, que no ano passado
foram de US$ 152 bilhões.
De acordo com o estudo do
Cindes, quatro setores seriam mais sensíveis: papel, celulose e gráfica;
refino de petróleo e petroquímico; siderurgia; e produtos químicos.
Eles representam, respectivamente, 4%, 5%, 11% e 6% das vendas do Brasil
para os EUA.
Se o mesmo tipo de medida de
fronteira for disseminado no mundo todo, aproximadamente 20% das
exportações brasileiras poderão ter de pagar esse tipo de tarifas,
mostra o estudo do Cindes. Os mesmos quatro setores seriam sensíveis a
essas medidas no resto do mundo.
Preocupação empresarial
A gerente de negociações internacionais da CNI informa qual é o maior temor do setor. “Nossa preocupação é que a legislação do clima não tenha interferência nas leis já existentes do comércio, como as do âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por isso agora estamos debruçados sobre o tema, é algo que os empresários estão fazendo pela primeira vez”, relatou Soraya Rosar.
Fonte: NTC Notícias (04/05/2010)








