Números do desemprego - 23/02/2006
Em ano de eleição, a economia vai estar na linha de frente dos debates. Hoje o IBGE divulga o nível de desemprego no mês de janeiro.
É uma notícia ruim e uma boa. O desemprego vai aumentar em relação a
dezembro. Mas isso acontece todo ano – é sazonal. A novidade é que pode
ser o melhor janeiro da série que o IBGE divulga.
A série é pequena, porque a metodologia foi mudada há poucos anos. Há previsões no mercado mais pessimistas e outras mais otimistas.
Os números estão entre 8,8% a 9,5%, mas a maioria do mercado prevê alguma coisa como 9%. É um número alto, mas as previsões do mercado são de que ao longo do ano, o desemprego ficará sempre menor do que no mesmo mês do ano anterior.
O salário-mínimo, quando começar a ser pago, vai aumentar a renda e pressionar os preços de alguns produtos e serviços. Mesmo assim, as previsões são de inflação em queda nos próximos meses.
Há bancos prevendo zero para o IGP-M de fevereiro e prevendo 0,25% para o IPCA de março. Em parte, isso será efeito do dólar em queda.
Dólar em queda prejudica os exportadores, mas reduz o preço de componentes e de produtos importados. Essa mistura de inflação sob controle e queda do desemprego é um sinal de que este ano vai ser melhor do que o que passou - até porque o ano passado foi muito ruim.
O espetáculo que não aconteceu
O governo tem uma má notícia para contar: o crescimento do ano passado. Um ano que tinha tudo para ter um grande crescimento, porque o mundo cresceu fortemente, tudo jogou a favor, e era hora do prometido “espetáculo do crescimento”.
Foi um fiasco. O tamanho do fiasco se saberá quando for divulgado o crescimento do último trimestre e o do ano todo.
Estrategicamente, o governo deixou essa má notícia para a sexta-feira, véspera de carnaval. Aposta que o brasileiro já vestido de odalisca e pierrô nem vai dar atenção para a notícia.
O mercado em geral acha que o crescimento do ano passado terá sido de 2,5%. Mas há bancos prevendo apenas 2,3%. É muito pouco. O governo, em 2005, perdeu um gol feito.
Mas
o cenário econômico de 2006 é favorável ao governo neste ano eleitoral.
O país não vai crescer muito, não será um ano espetacular, mas será um
ano que vai melhorando ao longo dos meses: com um pouco mais de
crescimento, um pouco mais de criação de emprego, menos inflação, queda
dos juros e melhoria da renda.
Fonte: http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1140538-3682,00.html - 23/02/2006








