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Novo problema dos moveleiros

A alta do dólar, que deveria trazer alívio aos exportadores da Serra Gaúcha, expôs empresas a uma grave situação em função das operações com derivativos cambiais.

Um dos setores que se viu em dificuldades com a súbita escalada da moeda norte-americana em decorrência da crise financeira internacional foi a indústria moveleira.


- Só no setor, deve haver em torno de 200 empresas com contratos de derivativos. É um instrumento usual - afirma Maristela Longhi, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs).

Maristela explica que do universo de 2,7 mil indústrias moveleiras gaúchas, 260 são exportadoras. Segundo as empresas, o uso dos derivativos era a única forma de manter as vendas para o Exterior quando o dólar estava em torno de R$ 1,60. Negociando com bancos, as empresas garantiam o pagamento de R$ 1,80 para cada dólar que recebessem em mercadorias vendidas lá fora. Cláusulas impunham perdas caso a cotação se elevasse acima, por exemplo, de R$ 2,20.

- Com previsão de baixa contínua do dólar, se conseguíssemos negociar contratos futuros garantindo uma cotação mais alta, ganhávamos competitividade para atender nossos clientes - explica Maristela.

Na quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu reeditar e reforçar uma linha de crédito chamada Revitaliza para ajudar os setores prejudicados. Embora positiva, a linha de financiamento não resolve todas as questões.

- Ainda precisamos da prorrogação dos contratos - diz Maristela.

Nos contratos celebrados com bancos, explica a dirigente, havia cláusulas permitindo a prorrogação por até 360 dias, mas diante do congelamento do crédito as instituições estavam cobrando liquidação imediata.

Entenda
- Cerca de 230 empresas gaúchas tinham contratos de câmbio no mercado futuro com potencial de perdas estimadas em R$ 5 bilhões.
- O principal motivo das operações era buscar um ganho financeiro que compensasse a baixa cotação do dólar no período anterior à crise.
- Com a reedição do Revitaliza, os representantes dos setores mais afetados avaliam que a situação aponta para uma solução, mas ainda pedem medidas complementares.


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/jornais/pioneiro

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