O conceito de APL difunde-se pelo país
Na Itália, os micro e pequenos empresários respondem por quase metade do total das exportações do país. No Brasil, o setor participa com apenas 2% de tudo que é vendido para fora.
Felizmente, o Brasil começa a acordar para essa defasagem e vem buscando inspiração exatamente no modelo italiano para promover as micro, pequenas e médias brasileiras no mercado interno e externo.
Uma referência está no conceito de Arranjos Produtivos Locais, mais conhecidos como APLs, que desde 2000 passaram a fazer parte do dia-a-dia dos órgãos públicos e privados. APLs são as conhecidas aglomerações de empreendimentos de uma mesma atividade, que, juntas, conseguem reproduzir com eficiência a forma de funcionamento de grandes empresas. Ou seja, organizando-se nesse formato, as pequenas conseguem gerar economia de escala, investir em inovação produtiva e gerencial e contar com profissionais mais qualificados.
Na Itália estão em ação 90 mil arranjos produtivos. No Brasil não existem esses números consolidados em nível nacional. Cada entidade envolvida no processo tem o seu próprio levantamento. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo apóia 34 APLs. Criou um modelo de gestão conjunta em 2003 e saiu divulgando-o pelo interior do Estado.
A partir daí as empresas, reunidas em associações ou sindicatos, começaram a colocar em prática o projeto. Seguindo a cartilha, o primeiro passo foi firmar um contrato com alguma empresa de tecnologia da informação, que de uma certa forma ajudou a colocar ordem na casa. Os resultados logo apareceram: redução de custos, com a adoção de compras conjuntas e a participação em leilões de matéria-prima, apoio na gestão do departamento de recursos humanos e informações sobre mercados locais e internacionais. Foi desta forma que muitas pequenas empresas descobriram que o seu produto poderia atravessar fronteiras.
Em parceria com entidades privadas, o governo paulista já patrocinou 14 missões de exportações, levando 250 empresas ao exterior. Em cada uma delas, de 15 a 20 empresários realizam negócios de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão.
Os órgãos municipais, estaduais e federal se unem a entidades públicas e privadas, como o Sebrae ou associações comerciais e industriais, para bancar os gastos dos pequenos nessas missões.
A Secretaria de Ciência e Tecnologia calcula que cada uma, que conta com a participação de 20 a 45 empresas, custe cerca de R$ 65 mil para o governo. Mas o retorno é mais do que satisfatório. Cada uma delas arrecada de US$ 2 milhões a US$ 2,5 milhões em divisas para o país.
A
exportação não é mais uma opção para o empresário, mas vital para a sua
sobrevivência na era globalizada. "O empresário que não estiver
preparado para exportar vai morrer. Logo, a Coréia e a China estarão
vendendo seus produtos ao lado dele", diz Flávio Musa de Freitas,
coordenador de desenvolvimento econômico da secretaria estadual de
ciência e tecnologia de São Paulo.
Por Denise Ramiro
Fonte: Valor Econômico / Funcex








