O que as empresas estão fazendo para contornar o apagão de talentos
Em época de apagão de talentos, o headhunter e presidente da Nogueira e Associados Fast Recruitment, Ricardo Nogueira, aponta quatro práticas usadas pelas organizações para solucionar o problema.
"As empresas, dependendo da
área de atuação, estão brigando para encontrar e reter talentos", conta
ele.
A primeira solução é trazer ex-executivos aposentados, o que é
benéfico, já que eles têm a experiência e a maturidade necessárias para
a função. "As pessoas voltam, até porque, ainda que tenham idade
avançada, estão mais ativas do que no passado", explica.
Nogueira dá um exemplo: "Recentemente, com a compra do Banco Real pelo
Santander, a instituição sentiu necessidade de uma alguém de peso, com
experiência, para cuidar do departamento de Recursos Humanos que surgiu
com a união das duas empresas. Então eles conseguiram trazer de volta a
Lilian Guimarães, que havia se aposentado há dois anos para montar uma
pousada. Agora, ela é a nova diretora de Recursos Humanos corporativo
do Santander e do Banco Real".
Criação de comitês caça-talentos
Muitas empresas,
principalmente multinacionais, solucionaram o problema da seguinte
maneira: criaram comitês, formados pelos gestores, para fazer um
planejamento de retenção e desenvolvimento de funcionários que têm
potencial para serem grandes líderes. "Eles buscam tanto os talentos
natos quanto aqueles a se desenvolver, ou seja, as pessoas com
características treináveis para se tornar grandes líderes".
É claro que os próprios funcionários talentosos não têm conhecimento disso. E como eles são retidos? A empresa investe pesado: salário
competitivo, promoção mais cedo (por volta dos 28 anos, muitos jovens
já se tornam gestores), treinamento nas filiais da empresa em outros
países e benefícios, como cursos de MBA, especialização, idiomas,
permissão para usar o carro da empresa, entre outros.
"Com
isso, o profissional veste a camisa da empresa. Já vi casos em que as
pessoas são abordadas por empresas oferecendo salários maiores e, mesmo
assim, não saíram. De que adianta um salário maior se as chances de
crescer são menores? Logicamente, se vier alguém muito agressivo, tira
esse profissional, mas nem sempre".
Gestor com olho de águia
Segundo ele, a principal forma de combater o apagão de talentos hoje é
investindo em treinamento e tendo gestores nos comitês com verdadeiros
olhos de águia, para descobrir quem são os talentos. Eles não podem ser
gerentes, pura e simplesmente. "O olho clínico dos gestores é
essencial, a começar pelo recrutamento. Se o líder leva um membro da
equipe para uma reunião, é por conta da amizade que tem com ele?
Negativo. É por um conjunto de talentos diferentes, raros, que viu
nele".
E por que é válido tanto esforço para reter esses talentos? Para
começar, estamos falando de profissionais com boa formação acadêmica,
que estão cursando ou já cursaram especialização, com iniciativa,
fluência em outros idiomas e bom relacionamento com os colegas de
equipe. "Se esse tipo de profissional fica lendo sobre seu mercado,
percebe que merecia mais e vê que tudo que cresceu foi à custa de seu
próprio bolso, apenas, e ele vai embora", garante.
Além disso, ele lembra que as empresas não podem ter apenas um
funcionário bom em cada departamento. Elas precisam de duas ou três
pessoas que, na falta do líder, podem substituí-lo sem problemas.
Outras maneiras
As outras soluções apontadas por Nogueira são a terceirização, por
tempo limitado, de executivos - ou seja, a contratação de executivos
terceirizados, experientes e capazes o suficiente para preencher a
lacuna, até que se encontre um substituto - e a busca de um
profissional no mercado. Muitas vezes, é necessário contratar um
headhunter.
O lado negativo da contratação de um profissional de mercado é que, não
raro, será necessário pagar um salário maior. O ponto positivo é que
esse profissional vem para agregar muito e oxigenar a equipe com
práticas novas e uma visão diferenciada. "Contanto que não sejam
tirados profissionais das empresas parceiras, é uma prática
interessante e transparente. E é assim que o mercado funciona hoje".
Por Karin Sato
Fonte: http://web.infomoney.com.br/








