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Queda nas exportações leva Zipperer a fechar as portas

Mais uma empresa do Alto Vale do Rio Negro (SC), maior pólo exportador de móveis do país, decidiu fechar as portas.

Localizada em São Bento do Sul, a tradicional Zipperer, criada em 1923, encerrou as atividades no dia 25 de abril, demitindo as 74 pessoas que ainda faziam parte do seu quadro. A Zipperer informou que o motivo do seu fechamento foi a valorização do real ante o dólar.

O fechamento da empresa se soma as 88 indústrias de móveis que encerraram as atividades na região em 2007, de acordo com dados da Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc), que foram compilados pela assessoria empresarial AMC, de São Bento do Sul. No Alto Vale do Rio Negro, que além de São Bento, compreende os municípios de Campo Alegre e Rio Negrinho, existiam em 2006 um total de 403 indústrias de móveis, que diminuíram para 315 em 2007.

"Paramos a produção para decidir o que fazer daqui para frente. Vínhamos acumulando sucessivos prejuízos desde 2005 por conta da valorização do real ante o dólar", comenta Nídia Zipperer, membro da terceira geração, que administrava a empresa junto com seu irmão Carlos Zschoerper, e sua mãe, Nícia, que estava na presidência da companhia.

Para Nídia, não se trata de um problema localizado na Zipperer como parte do mercado chegou a comentar (problemas de administração), mas sim reflexos da conjuntura em todo o setor no Alto Vale do Rio Negro. 

Com um parque fabril de 14 mil metros quadrados, a Zipperer mantinha suas vendas 100% no mercado externo, não tendo conseguido redirecionar sua produção para o mercado interno. Em momentos de situação cambial melhor para o exportador, como foi o caso de 2004, a Zipperer chegou a ter 220 empregados. A empresa não divulgou o faturamento. 

Assim como algumas indústrias atualmente buscam alternativas, a Zipperer tentou algumas alterações para sobreviver à valorização do real, como diversificação do perfil de clientes. Segundo ela, a empresa tinha como principal cliente o Wal-Mart nos Estados Unidos, que encomendava grandes volumes e negociava preços mais baixos. Ela chegou a buscar outros clientes, de menor porte, que compravam menos, mas a um preço melhor. No entanto, isso não foi suficiente para reverter a trajetória de prejuízos.

O fechamento da Zipperer, especializada principalmente em móveis residenciais, ocorreu seis meses depois de outra empresa da região, a Móveis Neumann, conhecida por fabricação de cozinhas, ter entrado com pedido de recuperação judicial por conta das dificuldades cambiais. A empresa fechou em outubro uma de duas fábricas (a que era voltada à exportação) que mantinha no Alto Vale do Rio Negro, demitindo 216 pessoas.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de São Bento do Sul, Ivo Grossl, o pólo ainda se encontra em uma "situação muito delicada". "A maioria das indústrias tenta manter o negócio de pé, equilibrando receitas com custos, sem nem mesmo ter lucro". 

Para o consultor da AMC, Adelino Denk, apesar do fechamento da Zipperer e da crise que vem desde 2005 na região, ele acredita que esse não é um movimento generalizado no setor. "Existe ainda uma adequação das empresas diante do dólar, há endividamentos acumulados, mas algumas indústrias estão conseguindo espaço no mercado interno, já conseguem reajustes de preços em dólar e uma situação melhor de resultado".

Segundo dados da AMC, no ano passado, a receita do setor melhorou - saiu de R$ 512,3 milhões em 2006 para R$ 692,8 milhões em 2007 -, mas não levou ao lucro. O Alto Vale do Rio Negro acumulou prejuízos de R$ 30,3 milhões em 2007 contra perdas de R$ 16,4 milhões em 2006.

Fonte: Valor Online Newsletter - Ano 5 nº 1998, 02/5/2008

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