Saldo comercial da indústria retrocede sete anos, diz Iedi
De um resultado positivo de US$ 5,9 bilhões, o saldo comercial da indústria caiu para um déficit de US$ 7,8 bilhões.
A redução do superávit
comercial do país de US$ 46,3 bilhões em 2006 para US$ 40 bilhões no
ano passado, uma diferença de US$ 6 bilhões, não chamou muita atenção. Se
essa redução não impressionou muito, o mesmo não deveria acontecer com
o saldo comercial da indústria. A queda foi significativa. De um
resultado positivo de US$ 5,9 bilhões, o saldo comercial da indústria
caiu para um déficit de US$ 7,8 bilhões, uma diferença de US$ 13,7
bilhões em apenas um ano.
Trata-se da maior mudança dos últimos dez anos, segundo Júlio Sérgio
Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto para o Desenvolvimento
Industrial) e autor do estudo.
Se a comparação for feita com 2005, a diferença se amplia para US$ 17,7 bilhões. Em 2005, o superávit foi de US$ 9,9 bilhões.
De acordo com o trabalho do Iedi, com essa reversão do resultado
comercial da indústria, o déficit do ano passado praticamente volta
para o ano de 2000, ou seja, ao período anterior da rodada de
desvalorizações cambiais (de 2001/2002). Em 2000, a indústria registrou
um déficit comercial de US$ 8,7 bilhões.
Assim, segundo o Iedi, tudo o que foi construído em sete anos foi
praticamente anulado em apenas um ano. Se for mantida essa tendência,
Gomes de Almeida diz que o país logo estará enfrentando bases
semelhantes aos anos da aguda restrição do período pré-desvalorização
cambial de 1999. O déficit de 1998, por exemplo, atingiu US$ 16,6
bilhões.
Caso não mude essa tendência, a única chance de não repetir a
vulnerabilidade externa do passado é se o saldo em produtos primários
continuar na mesma trajetória que vem tendo nos últimos anos, motivado
principalmente pelo crescimento da economia mundial, em especial pela
forte expansão da China.
O problema é que, diante da crise internacional, esse quadro tão favorável não é mais tão líquido e certo.
"Não é recomendável jogar todas as fichas em uma única cartada, não é recomendável nem é a tradição brasileira", diz o economista do Iedi.
Fonte: http://www.global21.com.br/








