Seguro para exportação sobe 30%
Os exportadores andam com a vida complicada. Além da falta de recursos para financiar as vendas externas, as empresas estão com dificuldade para fazer o seguro de crédito para exportação.
Contratar a apólice, que protege contra inadimplência da empresa compradora, ficou mais caro e mais difícil. Dependendo do destino das exportações, as seguradoras não aceitam mais fazer o seguro, por conta do aumento de calotes e falências de empresas lá fora.
Os preços do seguro de crédito à
exportação chegaram a subir 30% nas últimas semanas. Em alguns casos,
mesmo que a empresa esteja disposta a pagar mais caro, não consegue
fazer seguro. É o caso de quem exporta para a Argentina. A Coface-SBCE,
a maior seguradora do setor, com mais de 50% do mercado, resolveu não
mais aceitar contratos para o país vizinho, que sofre com os efeitos da
crise.
Segundo Fernando Blanco, presidente da Coface, a
seguradora considera que tem muito risco com empresas argentinas, em
contratos fechados no passado e já com alguns sinistros contabilizados.
Por isso, resolveu parar agora. A dificuldade não fica só com a
Argentina. Segundo os especialistas, quando a empresa exporta para
outros países latinos, Estados Unidos e Europa também precisa se
explicar muito bem para as seguradoras.
No caso do
Equador e Bolívia, o maior problema é político, por conta das recentes
disputas dos governos locais com empresas brasileiras. Na Venezuela,
por conta da queda do preço do petróleo e pela burocracia que dificulta
o pagamento dos prêmios (que chegam a demorar mais de um ano para serem
pagos), os contratos são analisados caso a caso pelas seguradoras.
Nos
Estados Unidos, uma das principais restrições são para empresas que
exportam para setores ligados à construção civil, o que mais tem
sofrido com a crise das hipotecas. Há casos de seguradoras que
recusaram apólices quando a empresa exporta para esse setor. O mesmo
vale para alguns países da Europa, mergulhado na crise. "Temos dito
mais não do que sim. Querem procurar um cadeado depois que a porta foi
arrombada", afirma Blanco, da Coface.
Além das
seguradoras que fazem esse seguro ficarem mais cautelosas, as
resseguradoras, que ajudam a diluir o risco das apólices no mercado
externo, também estão mais criteriosas. Muitas reduziram os limites de
riscos que estão dispostas a aceitar e subiram o preço do resseguro. "O
mercado ressegurador está mais cauteloso e as taxas do seguro de
crédito estão em alta por conta do aumento da sinistralidade", afirma
Edvaldo Cerqueira, diretor presidente da Cesce Brasil Seguros de Crédito, a segundo maior do setor no país.
Na Crédito
y Caución, seguradora espanhola que desembarcou no Brasil há dois anos,
as taxas ficaram mais altas para as empresas que estão renovando suas
apólices. Subiram entre 20% e 30%. Segundo Jesus Angel Victorio Cano,
presidente da CyC, a procura por esse tipo de seguro cresceu
consideravelmente nas últimas semanas.
Cano avalia que
esse é um momento interessante para ampliar a cultura desse seguro
entre empresas brasileiras. Muito comum na Europa, principalmente na
Espanha e França, o seguro de crédito à exportação é relativamente novo
no Brasil e pouco conhecido.
Marcelo Elias, diretor executivo da Marsh,
uma das maiores corretoras e consultorias de seguro do mundo, avalia
que este é o momento para algumas seguradoras novas conseguirem mais
clientes, pois há demanda. Segundo ele, a Marsh tem recebido consultas
de várias empresas, interessadas em saber do produto. "O momento é
crítico, mas oferece oportunidades." Elias notou uma maior seletividade
das seguradoras, que estão reduzindo os limites e a cobertura.
O seguro de crédito externo movimentou R$ 28 milhões este ano, até outubro, segundo os dados mais recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep), incluindo a cobertura de risco político. No geral, as empresas contratam apenas a cobertura de riscos comerciais. Os prêmios estão estáveis em relação a 2007. Mesmo com a maior procura e o aumento das taxas, como as exportações das empresas estão em queda, por conta da desaceleração de vários países, o prêmio final não cresce, destaca o presidente da Crédito y Caución. Em geral, cobra-se da empresa um percentual em relação ao valor exportado.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex - Valor Econômico








