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Setor de móveis cresce com boom do mercado imobiliário

O boom vivido pelo mercado imobiliário respingou no setor de móveis. Tanto as indústrias quanto os lojistas esperam crescimento de vendas em torno de 12% este ano, em relação a 2007. Os profissionais do setor começam a se preparar para o aumento do consumo. Foi inaugurado nessa quinta-feira, na Rua Jacuí, Região Nordeste de Belo Horizonte, a Loja Modelo Brasil Central, que, em dois anos, pretende dar treinamento e cursos de capacitação para mais de 3 mil profissionais do comércio varejista. O projeto, que será financiado por patrocinadores, foi feito em parceria entre a Associação de Lojistas e Representantes de Móveis de Minas Gerais (Alormov) e a Central de Excelência Moveleira (CEM).

A loja vai atender profissionais de Minas, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo e Distrito Federal. Belo Horizonte terá terceira unidade do projeto, que já foi funciona em Curitiba (PR) e Recife (PE). “A capital mineira tem a característica de ter empresas de pequeno porte. O nosso objetivo é fortalecer esses empreendimentos. A indústria da construção civil está muito desenvolvida. E isso tem reação em cadeia. O boom do setor já chegou ao segmento de móveis”, afirma Valnei Fiorin, presidente da Alormov.

Os cursos terão duração de 8 a 16 horas e serão oferecidos a todos os segmentos do varejo, desde vendedores a decoração de ambientes e montagem de móveis e vitrines. “O setor está crescendo e vai demandar mão-de-obra mais especializada”, observa Fiorin. A expectativa da Alormov é de que as vendas dos lojistas de Minas atinjam R$ 2,5 bilhões este ano, ante R$ 2,2 bilhões em 2007.

O empresário Anderson Soares, proprietário da Mobiliadora Universal, já registrou aumento de 30% nas vendas este ano, em relação ao mesmo período de 2007. Ele abriu sua loja há oito anos na Avenida Silviano Brandão, um dos principais pólos de lojistas do segmento na capital. “Estamos vivendo a nossa melhor fase. A estabilidade econômica e o bom momento do mercado imobiliário estão favorecendo”, afirma Soares. Segundo ele, o prazo de financiamento dos produtos, que no passado se restringia a no máximo oito meses, hoje chega a 12.

“E a nossa expectativa é de melhoria no segundo semestre, que tradicionalmente tem vendas melhores”, diz Soares. Ele também é presidente da Associação dos Lojistas da Silviano Brandão. Atualmente, a avenida conta com cerca de 100 lojistas do setor. “Já chegou a ter bem menos, mas o custo elevado das lojas de shoppings está levando os lojistas para as ruas”, observa Soares.

Nas indústrias, a classe C está ajudando a alavancar as vendas, segundo Dale Dangele Fialho, presidente do Sindicato da Indústria do Mobiliário e Artefato de Minas Gerais (Sindimov-MG). “Os imóveis para essa população são menores e exigem mobiliário específico, feito sob medida ou modulado. E as fábricas em Minas são de pequeno porte e caracterizadas por operarem nesse segmento”, diz Fialho. Mas, apesar do consumo maior da classe C, nem todos os lojistas estão aumentando as vendas. Eduardo Neves tem cinco lojas na Grande BH voltadas para esse público. Mas reclama de um novo concorrente: os veículos. “Meu cliente antes não tinha carro, hoje tem. Mas como está endividado com as prestações, não consegue pagar R$ 30 a R$ 40 da prestação do móvel”, diz.

Fonte: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2008/06/06/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=66137/em_noticia_interna.shtml

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