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Setor moveleiro começa a reagir

Receita com as exportações apresentou crescimento de 7,7% no primeiro bimestre do ano.

O setor moveleiro nacional começa a mostrar sinais de recuperação nas vendas externas neste ano. Mesmo com a queda nas exportações de 4,65% em 2006 ante 2005, o desempenho da indústria de móveis, que apresentou crescimento de 17,27% no ano passado, ficou muito além da expectativa traçada pelos empresários do setor, de apenas 5%. Este ano os resultados já apresentam melhora no cenário, com aumento de 7,7% nas vendas no primeiro bimestre, em relação a igual período de 2006 (últimos dados disponíveis).

A receita no primeiro bimestre com as exportações somou US$ 131,1 milhões contra US$ 126,6 milhões de 2006. No mês de março, o aumento nas vendas externas foi de 5,7%, com receita de US$ 220,477 milhões, contra US$ 208,661 milhões no ano passado. Os principais compradores, em valores, foram Estados Unidos (redução de 14,3%, passando de US$ 71,901 milhões para US$ 61,606 milhões), França (com aumento de 0,5% e valor de compras de US$ 17,437 milhões contra US$ 17,355 milhões do mês de março de 2006) e Reino Unido (com alta de 8,8%, comprando US$ 21,883 milhões, ante US$ 20,118 milhões ano passado).

Em crescimento de um ano para o outro, os principais compradores foram da Alemanha (alta de 64,1%, comprando US$ 10,451 milhões ante US$ 6,367 milhões em março de 2006), Uruguai (passando de US$ 2,764 milhões no ano passado para US$ 3,76 milhões este ano, aumento de 36%), e Espanha (aumentando sua compra em 34,2%, passado do US$ 9,836 milhões para US$ 13,199 milhões).

Segundo associações do segmento, os fatores que favoreceram a indústria no ano passado foram o aumento na disponibilidade de crédito a juros menores, a participação de famílias de baixa renda, antes fora do mercado de consumo, e o aquecimento da demanda nos três últimos meses de 2006. O setor registrou faturamento de R$ 14,133 bilhões em 2006, segundo balanço da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). De acordo com os dados da entidade, a estabilidade econômica e o crescimento do PIB - de 2,9% - também ajudaram nos resultados. "A melhoria do poder aquisitivo da população alavancou as vendas no último trimestre, e pelo visto o quadro está se mantendo este ano", disse o presidente da Abimóvel, José Luiz Fernandez. De acordo com Fernandez, a queda nas exportações acabou por aumentar a oferta no mercado interno, o que fez os preços baixarem devido à concorrência. O principal vilão para a venda externa foi a valorização do real frente ao dólar. Mesmo com a redução, a balança comercial do setor permanece positiva, com saldo de US$ 819 milhões. No balanço anual de 2006, a maior taxa de crescimento das exportações de móveis foi a de Minas Gerais (46,87%), seguida por São Paulo (21,86%), Espírito Santo (15,65%) e Pernambuco (7,42%). Dentre os estados do Sul, o único que registrou aumento nas vendas externas foi o Paraná, que cresceu 14,64%.

Os estados que tiveram as maiores quedas nas exportações no ano passado ante 2005 foram Maranhão (85,83%), Goiás (70,64%) e Mato Grosso do Sul (53,61%). Santa Catarina e Rio Grande do Sul, grandes pólos moveleiros, tiveram queda de 17,34% e de 1,39%, respectivamente. As exportações da indústria de móveis do Rio de Janeiro apresentaram redução de 28,17% em relação a 2005. O setor moveleiro nacional é composto por 14,4 mil indústrias, que empregam 228 mil pessoas diretamente.

"O setor busca trabalhar essa dificuldade (de queda nas exportações) investindo ainda mais na capacitação tecnológica e melhoria de gestão, de processos e de design, por intermédio do programa Brazilian Furniture, parceria da Abimóvel com a Agência de Promoções das Exportações (Apex)", disse Fernandez. Segundo ele, por causa do programa, a receita com vendas externas da indústria de móveis passou de cerca de US$ 485 milhões por ano para quase US$ 1 bilhão a partir de 2004.

A Abimóvel espera um resultado ainda melhor que o de 2006. "Se forem mantidas as condições econômicas internas e externas, deveremos ter índice de crescimento superior ao do ano passado", disse o presidente da entidade.

Novos mercados

Os três maiores compradores de móveis brasileiros - Estados Unidos, Reino Unido e França - reduziram em 10% o volume de produtos adquiridos entre 2005 e 2006, e a receita com as vendas para estes mercados caiu de US$ 520 milhões para US$ 427 milhões. Este ano, os embarques de móveis para os Estados Unidos, principal destino da exportação brasileira, sofreram retração de 11,5% nos dois primeiros meses, caindo para US$ 37,8 milhões. Em compensação, as vendas tiveram bons resultados em outros mercados. Entre os países da União Européia, o destaque é para o Reino Unido, que teve alta de 10,6%, para US$ 14 milhões, e a Alemanha, com alta de 63,2%, atingindo US$ 6,3 milhões no bimestre.

Tentando aumentar sua participação no mercado mundial, de menos de 1%, a indústria de móveis brasileira resolveu pulverizar suas vendas e buscar consumidores alternativos. A África é um desses mercados que prometem salvar as exportações dos moveleiros nacionais, e alguns países, cujas participações não eram significativas, passaram a fazer parte das estatísticas. Angola, por exemplo, que já fazia parte da carteira de clientes do País há alguns anos, aumentou suas aquisições de móveis brasileiros em 148% no ano passado, o equivalente a US$ 29,4 milhões. Outros países africanos que consumiram mais em 2006 foram a Namíbia, Cabo Verde e Moçambique, com aumento nas compras de 33% (num total de US$ 6 milhões), 108% (US$ 1,2 milhão) e 54,5% (US$ 2,5 milhões), respectivamente.

No Rio Grande do Sul, alta de 3,6%

O Rio Grande do Sul já percebeu a melhora do mercado e registrou no primeiro bimestre deste ano receita de US$ 37,6 milhões com as vendas externas, crescimento de 3,6% sobre os dois primeiros meses de 2006, com US$ 34,9 milhões. Em março, o crescimento já foi de 10,4%, com faturamento total de US$ 62,564 milhões, ante US$ 56,656 do ano passado. Os principais compradores, em valores, foram os Estados Unidos (que reduziram em 37,2% as compras, passando de US$ 11,657 milhões para US$ 7,321 milhões), o Reino Unido (com alta de 37,6%, comprando US$ 10,694 milhões, ante US$ 7,771 milhões no ano passado) e Chile (com aumento de 25,4% e valor de compras de US$ 5,306 milhões, contra US$ 4,233 milhões em 2006).

Em crescimento de um ano para o outro, a Colômbia aumentou em 395,8% suas compras das fábricas do Rio Grande do Sul, a França em 60% e os Emirados Árabes Unidos em 43%. De acordo com o presidente da Associação dos Fabricantes de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Luiz Atílio Troes, o setor da região espera retomar em 2007 o patamar de US$ 1 bilhão em vendas externas, obtido em 2005.

Participação

Troes disse que o Brasil, que tem participação de menos de 1% no mercado mundial, não chega a ser ameaça aos grandes exportadores, como a Itália, França, Alemanha, Espanha e até a China, que tem 11% do mercado. "E não podemos esquecer o Leste Europeu. A mão-de-obra cara na União Européia (UE) estimulou diversos países a fazerem parcerias, o que resultou numa fatia de mais de 10% de participação. Para se ter uma idéia desse movimento, basta ver que nos últimos cinco anos foram criados cem mil novos postos de trabalho no setor moveleiro do Leste Europeu", disse o presidente.

Proprietário da Móveis Tremarin Ltda, Luiz Atílio Troes disse que as indústrias do Rio Grande do Sul estão buscando novos clientes, minimizando os custos e se aprimorando para se tornarem mais competitivas para compensar o resultado ruim do ano passado. "Queremos ter um faturamento cerca de 7% acima de 2006, e representar 27% da receita nacional com exportações. Para tanto, das 80 empresas brasileiras do projeto de promoção do móvel no exterior Brazilian Furniture, 41 são gaúchas", disse o presidente.

Fonte: http://www.sebraeminas.com.br/geral/VisualizarDestaque.aspx?Cod_destaque=3944
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